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Resumo rápido: MTU e o pacote máximo que cabe no enlace. MSS e o pedaco de payload TCP dentro desse pacote. Para Ethernet (1500 bytes) com IPv4, o MSS ótimo e 1460. PPPoE corta para 1452, e VPN típica para 1360.

Calculadora MTU MSS: como ajustar pacote TCP para evitar fragmentacao

Quando uma conexão TCP sobe lenta, perde sessao em VPN ou trava em download grande mesmo com banda sobrando, frequentemente o culpado e fragmentacao de pacote. O MTU (Maximum Transmission Unit) e o tamanho máximo de pacote que um enlace aceita. O MSS (Maximum Segment Size) e o tamanho máximo de payload TCP que cabe sem estourar o MTU.

Calcular o MSS correto e simples: subtraia do MTU os 20 bytes do cabecalho TCP e os 20 bytes do cabecalho IPv4 (ou 40 do IPv6). O ajuste fino vem quando ha PPPoE, IPsec, GRE ou WireGuard no caminho, cada um adicionando overhead próprio.

Por que fragmentacao prejudica o desempenho

Quando um pacote excede o MTU de algum enlace no caminho, o roteador precisa quebra-lo em fragmentos menores. O destino remonta. Esse processo custa CPU, aumenta latencia e gera retransmissoes quando algum fragmento se perde. Pior: muitos firewalls descartam fragmentos por padrão de segurança, fazendo a conexão falhar silenciosamente.

Por isso o TCP negocia MSS no handshake de 3 vias. Cada lado anuncia o maior MSS que aceita receber, e ambos passam a usar o menor. Quando o MSS esta bem dimensionado, nenhum pacote precisa ser fragmentado no caminho.

Valores padrão por tipo de enlace

MTU e MSS otimos para enlaces comuns (IPv4)
EnlaceMTUMSS IPv4MSS IPv6
Ethernet padrão150014601440
PPPoE (DSL, fibra)149214521432
IPv6 mínimo128012401220
VPN IPsec típica140013601340
Jumbo frame (data center)900089608940

MSS clamping: quando o roteador reescreve o pacote

Em VPN site to site ou em conexão PPPoE, o cliente final não sabe que existe um tunel reduzindo o MTU. Por isso, muitos roteadores aplicam MSS clamping: durante o handshake TCP, eles interceptam o anuncio de MSS e reescrevem para um valor menor que cabe dentro do tunel. Sem clamping, conexões que dependem do bit "Don't Fragment" simplesmente travam.

Configurar clamping e prática comum em MikroTik, OPNsense, pfSense e roteadores de operadora. O valor de MSS deve casar com o MTU efetivo do tunel menos os cabecalhos.

Atenção

Path MTU Discovery depende de ICMP

O mecanismo padrão para descobrir MTU ao longo do caminho usa pacotes ICMP "Fragmentation Needed". Quando algum firewall bloqueia ICMP de forma agressiva, o PMTUD falha e a conexão trava em silencio. Por isso, ICMP não deve ser totalmente bloqueado em equipamentos de rede de trânsito.

Como descobrir o MTU real de uma linha

O caminho pratico e usar ping com bit "Don't Fragment" ativado e ir subindo o tamanho do payload até falhar. No Windows: ping 8.8.8.8 -f -l 1472. Se falhar, reduza. O maior tamanho que passa, somado a 28 (20 de IP + 8 de ICMP), e o MTU do caminho.

No Linux: ping -M do -s 1472 8.8.8.8. Em rede com PPPoE, o resultado típico e 1492. Em fibra direta, 1500. Em VPN, costuma ficar entre 1380 e 1440.

Cálculo de MSS para IPv4 e IPv6

A formula muda conforme a versão do IP por causa do tamanho do cabecalho:

  • IPv4: MSS = MTU menos 20 (cabecalho IP) menos 20 (cabecalho TCP) = MTU menos 40 bytes
  • IPv6: MSS = MTU menos 40 (cabecalho IP) menos 20 (cabecalho TCP) = MTU menos 60 bytes

O cabecalho IPv6 e fixo em 40 bytes (contra 20 do IPv4 sem opções) por já embutir campos que no IPv4 eram opcionais. Em compensacao, IPv6 simplifica processamento de roteador e elimina necessidade de fragmentacao intermediaria, já que fragmentacao em IPv6 e responsabilidade exclusiva do remetente. O MTU mínimo obrigatório em IPv6 e 1280 bytes (qualquer enlace que carregue IPv6 precisa suportar ao menos esse valor).

Cenario brasileiro: por que fibra residencial usa 1492

Operadoras brasileiras como Vivo Fibra, Claro NET, TIM Live e Oi Fibra entregam internet via PPPoE (PPP over Ethernet) na maioria das instalacoes residenciais. O PPPoE adiciona 8 bytes de cabecalho próprio sobre o quadro Ethernet, reduzindo o MTU efetivo de 1500 para 1492 bytes. Como consequencia, o MSS ótimo cai de 1460 para 1452 em IPv4.

Em conexão FTTH pura (sem PPPoE, com IP atribuído diretamente por DHCP no equipamento da operadora), o MTU permanece 1500. Algumas operadoras migraram dessa arquitetura por simplicidade operacional, mas PPPoE ainda predomina em fibra residencial no Brasil em 2026.

Path MTU Discovery (PMTUD) e o problema do black hole

O Path MTU Discovery e o mecanismo padrão para descobrir o menor MTU ao longo de um caminho. Funciona assim: o remetente envia pacote grande com bit "Don't Fragment" ligado. Se algum roteador no caminho tem MTU menor, responde com ICMP tipo 3 codigo 4 ("Fragmentation Needed"), informando o MTU correto. O remetente reduz e retransmite. Esse processo se repete até todos os saltos aceitarem o tamanho.

O PMTUD black hole acontece quando algum firewall no caminho descarta ICMP de forma agressiva sem responder. O remetente continua mandando pacotes grandes que somem silenciosamente. A conexão TCP estabelece o handshake (pacotes pequenos passam), mas trava ao transferir dado real (pacotes grandes caem). Sintomas: site carrega HTML mas trava no CSS pesado, download trava em 1 porcento, VPN conecta mas não passa tráfego. A solucao definitiva e habilitar MSS clamping no roteador de borda ou liberar ICMP tipo 3 nos firewalls intermediarios.

Jumbo frames em data center

Em redes de data center, switches e NICs modernos suportam jumbo frames de até 9000 bytes. O ganho principal e reducao de overhead: cada pacote carrega mais payload em relação ao cabecalho fixo, e a CPU processa menos interrupcoes para a mesma quantidade de dados. Em iSCSI, NFS e replicacao de banco entre nos do cluster, jumbo frames podem melhorar throughput em 10 a 30 porcento.

O cuidado e que todos os equipamentos no caminho (NIC origem, switch 1, switch 2, NIC destino) precisam estar configurados para o mesmo jumbo MTU. Um único salto com MTU 1500 anula o ganho e gera problema de PMTUD. Por isso, jumbo frames vivem confinados a segmentos controlados (back-end de servidor, VLAN de storage), não em conexão com internet publica.

Se sua conexão esta sofrendo com perda de pacotes ou lentidao silenciosa por fragmentacao, comece pelo guia como configurar o MTU correto. Para diagnostico mais amplo, veja causas de perda de pacotes e internet lenta: diagnostico passo a passo.

Perguntas frequentes sobre MTU e MSS

Qual a diferença entre MTU e MSS?

A MTU (Maximum Transmission Unit) é o maior pacote que cabe no enlace, incluindo os cabeçalhos IP e TCP. A MSS (Maximum Segment Size) é apenas a carga de dados TCP e por isso é sempre menor, já que desconta esses cabeçalhos do valor da MTU.

Como calcular a MSS a partir da MTU em IPv4?

Em IPv4 sem opções, o cabeçalho IP ocupa 20 bytes e o cabeçalho TCP mais 20 bytes, somando 40 bytes de overhead. Por isso a MSS é a MTU menos 40, o que dá 1460 bytes para a MTU Ethernet padrão de 1500.

O cálculo de MSS muda em IPv6?

Sim. O cabeçalho IPv6 fixo tem 40 bytes, o dobro dos 20 bytes do IPv4, e somado aos 20 bytes do TCP resulta em 60 bytes de overhead. Assim a MSS em IPv6 é a MTU menos 60, ficando 20 bytes menor que em IPv4 para a mesma MTU.

Qual MTU é usada em uma conexão PPPoE residencial?

O PPPoE consome 8 bytes de cabeçalho, então a MTU efetiva cai de 1500 para 1492 bytes em muitas conexões de banda larga. Com essa MTU, a MSS em IPv4 fica em 1452 bytes depois de descontar os 40 bytes de cabeçalhos IP e TCP.

Por que páginas grandes travam ou carregam pela metade em VPN?

O encapsulamento da VPN adiciona cabeçalhos e reduz a MTU efetiva do túnel. Sem o ajuste de MSS, o cliente ainda tenta enviar segmentos grandes que não cabem no túnel e são descartados em algum salto, o que trava a conexão em vez de dar um erro claro.

A MTU de 1500 vale para qualquer rede?

A MTU de 1500 bytes é o padrão da Ethernet, mas não é universal. Túneis, VPNs, links PPPoE e algumas redes móveis trabalham com MTUs menores, o que exige ajustar o valor no equipamento de borda para evitar fragmentação.

O que é MSS clamping e por que ele é usado?

MSS clamping é a técnica em que o roteador reescreve o valor de MSS anunciado no handshake TCP para caber na menor MTU do caminho. Ele é muito usado em enlaces PPPoE e VPN, onde evita que segmentos grandes sejam descartados e resolve travamentos causados por MTU reduzida.

Como aplicar MSS clamping no roteador?

A maioria dos equipamentos oferece a opção de fixar a MSS na interface de saída ou no firewall. No Linux usa-se uma regra de mangle com o alvo TCPMSS, e roteadores como Mikrotik, Cisco e Huawei têm comandos próprios para o mesmo ajuste na interface ou na política.

A calculadora MTU MSS descobre o Maximum Segment Size ideal para TCP a partir do MTU do enlace em IPv4 e IPv6, descontando overhead de PPPoE, IPsec, GRE e WireGuard.