O que é IPv6

O que e IPv6: protocolo com enderecos de 128 bits, formato hexadecimal, motivacao pelo esgotamento do IPv4 e adocao no Brasil segundo o IPv6.br.

IPv6 (Internet Protocol version 6) e a versão atual do Internet Protocol, com endereços de 128 bits que oferecem um espaço de 340 undecilhoes de combinacoes, suficiente para atribuir trilhoes de endereços a cada ser humano no planeta. O protocolo foi padronizado em 1998 pelo RFC 2460, atualizado em 2017 pelo RFC 8200, mas ganhou urgência prática apenas após o IANA esgotar os últimos blocos IPv4 em fevereiro de 2011. O Brasil atingiu em 2025 o marco de 50% de tráfego via IPv6, tornando-se referência mundial na transicao. O funcionamento técnico, as diferenças reais do IPv4 e o estado atual no Brasil e o que este artigo cobre com precisao.

Neste artigo

  1. O que e IPv6: definição formal e especificacao RFC 8200
  2. Por que o IPv6 foi criado: esgotamento do IPv4
  3. Estrutura de um endereço IPv6: notacao e tipos
  4. Cabecalho IPv6: o que mudou em relação ao IPv4
  5. Como o IPv6 funciona na prática
  6. Diferenças técnicas entre IPv4 e IPv6
  7. IPv6 no Brasil: NIC.br, provedores e adocao em 2025
  8. Mecanismos de coexistencia IPv4/IPv6
  9. Perguntas frequentes

O que e IPv6: definição formal e especificacao RFC 8200

IPv6 (Internet Protocol version 6) e o protocolo de camada de rede que sucede o IPv4 como padrão da internet. Especificado originalmente pelo RFC 2460 (dezembro de 1998, autores Steve Deering e Robert Hinden) e atualizado pelo RFC 8200 (julho de 2017, IETF), o IPv6 expande o espaço de endereços de 32 bits (IPv4) para 128 bits, resultando em 2^128 = aproximadamente 3,4 x 10^38 endereços possíveis.

Para ter uma ideia de escala: o IPv4 oferece cerca de 4,3 bilhoes de endereços. O IPv6 oferece 340 undecilhoes, um número com 39 dígitos. Seria possível atribuir um bloco /48 de IPv6 (com 2^80 endereços) a cada ser humano vivo hoje e ainda sobrar espaço.

Fundamentos acadêmicos do IPv6

A literatura técnica de referência e unanime sobre a motivacao do IPv6. Peterson & Davie sintetizam em uma frase a razao de ser do protocolo:

"A motivacao para uma nova versão do IP e simples: lidar com o esgotamento do espaço de endereços IP."

Larry L. Peterson, Bruce S. Davie - Redes de Computadores: Uma Abordagem de Sistemas, 5a edição, p. 198 (Elsevier, 2013)

Sobre a notacao e a estrutura de 128 bits em grupos hexadecimais, Peterson & Davie descrevem:

"Os endereços IPv6 são escritos na notacao x:x:x:x:x:x:x:x, onde cada x representa um grupo de 16 bits em hexadecimal. Sequencias de grupos zeros consecutivos podem ser comprimidas para '::'."

Larry L. Peterson, Bruce S. Davie - Redes de Computadores: Uma Abordagem de Sistemas, 5a edição, p. 201 (Elsevier, 2013)

Fernandez quantifica a diferença de escala entre IPv4 e IPv6 de forma precisa:

"enquanto IPv4 suportava 4 bilhoes de nós, IPv6 pode enderecar 3,4 x 10^38 nós."

Marcial Porto Fernandez - Rede de Computadores. UAB/UECE, 2019, p. 130

O NAT como fator que adiou a adocao do IPv6 também aparece documentado em Fernandez:

"A criacao do mecanismo NAT possibilitou aumentar o aproveitamento dos endereços IPv4 existentes, tornando desnecessaria a utilizacao do IPv6 imediatamente."

Marcial Porto Fernandez - Rede de Computadores. UAB/UECE, 2019, p. 129

Por que o IPv6 foi criado: esgotamento do IPv4

Em 1992, a internet comercial crescia a taxas que tornavam evidente o problema: os 4,29 bilhoes de endereços IPv4 não seriam suficientes. O IETF lancou o projeto IPng (IP next generation) para desenvolver um sucessor. A solucao de curto prazo foi o NAT (Network Address Translation), que permite múltiplos dispositivos compartilharem um único IP público. O NAT funcionou como paliativo por duas décadas.

A linha do tempo do esgotamento

Em 1995, Steve Deering e Robert Hinden publicaram o RFC 1883, primeira versão do IPv6. Em 1998, o RFC 2460 consolidou a especificacao. A adocao foi lenta: a coexistencia com IPv4 era vista como problema, custos de atualizacao de equipamentos eram altos e o NAT funcionava "bem o suficiente" para a maioria dos casos.

O marco definitivo veio em 3 de fevereiro de 2011: o IANA distribuiu os últimos cinco blocos /8 de IPv4 para os cinco registros regionais. O LACNIC recebeu o último bloco disponível para a América Latina em junho de 2014. Desde então, obter um bloco IPv4 novo exige compra no mercado secundario, com preços que chegaram a USD 55-60 por endereço em 2023.

Cronologia do desenvolvimento e adocao do IPv6
Ano Evento Referência
1992 IETF lanca projeto IPng (IP next generation) RFC 1550
1995 RFC 1883: primeira especificacao do IPv6 Deering, Hinden
1998 RFC 2460 consolida o IPv6 RFC 2460 (dezembro 1998)
2008 NIC.br lanca programa IPv6.br no Brasil NIC.br / CGI.br
2011 IANA esgota últimos blocos /8 de IPv4 IANA fev/2011
2012 World IPv6 Launch: Google, Facebook, Akamai ativam IPv6 permanentemente isoc.org
2017 RFC 8200 atualiza e torna RFC 2460 obsoleto RFC 8200 (julho 2017)
2025 Brasil ultrapassa 50% de tráfego via IPv6 - marco histórico NIC.br / ipv6.br 2025

Estrutura de um endereço IPv6: notacao e tipos

Um endereço IPv6 tem 128 bits organizados em oito grupos de 16 bits cada. Cada grupo e representado por quatro dígitos hexadecimais separados por dois-pontos:

2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334

128 bits totais · cerca de 3,4 × 1038 endereços possíveis

Duas regras de compressão reduzem a verbosidade. Zeros a esquerda em cada grupo podem ser omitidos: 0001 vira 1. Uma ou mais sequências consecutivas de grupos de zeros podem ser substituidas por :: uma única vez por endereço: assim, 2001:db8:0:0:0:0:0:1 se torna 2001:db8::1. O endereço loopback do IPv6 e ::1, equivalente ao 127.0.0.1 do IPv4.

Tipos de endereços IPv6

Principais tipos de endereço IPv6, prefixos e usos
Tipo Prefixo Uso RFC
Unicast global 2000::/3 Roteavel na internet pública, equivalente ao IP público do IPv4 RFC 4291
Link-local fe80::/10 Apenas na rede local, não roteavel. Autoconfigurado automaticamente RFC 4291
Unique local fc00::/7 Roteamento privado (equivalente ao RFC 1918 do IPv4) RFC 4193
Multicast ff00::/8 Grupo de receptores. Substitui o broadcast do IPv4 RFC 4291
Loopback ::1/128 Próprio dispositivo (localhost em IPv6) RFC 4291
IPv4-mapeado ::ffff:0:0/96 Representa endereços IPv4 em sockets IPv6 (transicao) RFC 4291
Documentação 2001:db8::/32 Reservado para exemplos em RFCs e documentação técnica RFC 3849

Prefixo de rede e Interface ID

Um endereço IPv6 unicast global tem dois componentes: o prefixo de rede (geralmente os primeiros 64 bits) e o Interface Identifier (os últimos 64 bits). O LACNIC aloca blocos /32 para provedores, que sub-alocam /48 para empresas e /64 para redes individuais. Um /64 e a menor sub-rede recomendada para IPv6, pois muitos mecanismos de autoconfiguração (SLAAC) dependem de espaço de 64 bits para o Interface ID.

Cabecalho IPv6: o que mudou em relação ao IPv4

O cabecalho IPv6 tem tamanho fixo de 40 bytes, contra os 20-60 bytes variáveis do IPv4. Isso simplifica o processamento em roteadores de alta velocidade. O campo de checksum foi eliminado do cabecalho (a responsabilidade ficou com TCP e UDP), reduzindo o trabalho de cada salto.

Cabeçalho IPv6 320 bits vs IPv4 com os 8 campos
Comparativo dos cabeçalhos IPv4 (variável, 20-60 bytes) e IPv6 (fixo, 40 bytes). O IPv6 eliminou checksum e fragmentação do cabeçalho.

Como o IPv6 funciona na prática

Quando um dispositivo IPv6 se conecta a uma rede, ele autoconfigura seu endereço link-local a partir do prefixo fe80::/10. Esse endereço serve para comunicação com o roteador local antes de qualquer configuração completa.

SLAAC: autoconfiguração sem DHCP

O SLAAC (Stateless Address Autoconfiguration, RFC 4862) permite que um dispositivo configure seu endereço IPv6 global automaticamente sem servidor DHCP. O processo:

  1. O dispositivo envia um Router Solicitation (ICMPv6 tipo 133) para o endereço multicast de todos os roteadores (ff02::2).
  2. O roteador responde com um Router Advertisement (ICMPv6 tipo 134) contendo o prefixo da rede (ex: 2804:14c::/64).
  3. O dispositivo combina o prefixo com um Interface ID gerado a partir do MAC (EUI-64) ou aleatoriamente (RFC 8981, Temporary Address Extensions).
  4. Antes de usar o endereço, o dispositivo faz Duplicate Address Detection (DAD) via NDP para verificar que ninguem mais usa o mesmo endereço na rede.
  5. Com o endereço confirmado, o dispositivo esta pronto para se comunicar globalmente sem precisar de servidor DHCP centralizado.

NDP: o substituto do ARP

O IPv4 usa ARP (Address Resolution Protocol) para descobrir o endereço MAC correspondente a um IP na rede local. O IPv6 substitui o ARP pelo NDP (Neighbor Discovery Protocol, RFC 4861), que usa ICMPv6 e e significativamente mais capaz. O NDP faz descoberta de vizinhos (Neighbor Solicitation/Advertisement), descoberta de roteadores (Router Solicitation/Advertisement), deteccao de endereços duplicados e PMTU Discovery.

Diferenças técnicas entre IPv4 e IPv6

A diferença mais importante para o usuário final e a eliminacao do NAT. Em IPv6 nativo, cada dispositivo tem seu próprio endereço público, o que significa que hospedagem caseira, jogos P2P e chamadas VoIP fim-a-fim funcionam sem port forwarding. Servidores de jogos que usam conexão direta entre jogadores (peer-to-peer) funcionam melhor em IPv6.

Comparativo técnico completo IPv4 versus IPv6
Caracteristica IPv4 IPv6
Tamanho do endereço 32 bits (4,3 bilhoes) 128 bits (340 undecilhoes)
Notacao Decimal pontilhada: 192.168.1.1 Hexadecimal com dois-pontos: 2001:db8::1
Cabecalho 20-60 bytes (variável) 40 bytes fixos + extension headers opcionais
Checksum no cabecalho Sim (16 bits, recalculado a cada salto) Não (eliminado para eficiencia)
Fragmentação Roteadores e hosts Apenas o host de origem (via Extension Header)
Autoconfiguração DHCP (com servidor necessario) SLAAC sem servidor + DHCPv6 opcional
Resolucao de endereço MAC ARP (broadcast) NDP via ICMPv6 (multicast, mais eficiente)
NAT necessario Em geral sim (esgotamento de IPs) Não (espaço suficiente para todos)
IPSec Opcional (via camada separada) Suporte nativo via extension headers
Multicast Opcional (grupo 224.0.0.0/4) Integrado, substitui broadcast
QoS / Flow Label DSCP/ECN (8 bits) Traffic Class (8 bits) + Flow Label (20 bits)
Broadcast Sim (255.255.255.255) Não existe; substituido por multicast/anycast

IPv6 e mais rápido que o IPv4?

Essa e uma pergunta frequente com resposta nuancada. Em condicoes de rede similares, a diferença de throughput entre IPv4 e IPv6 e marginal. O beneficio real aparece em cenarios especificos: eliminacao de camadas de CGNAT reduz latência em alguns milissegundos; endereços diretos sem NAT melhoram performance de aplicações P2P; cabecalho fixo de 40 bytes facilita processamento em hardware de roteamento de alta velocidade. Google e Facebook reportam que usuários com IPv6 nativo experimentam latências 10-15% menores em média, principalmente por eliminar saltos extras de NAT.

IPv6 no Brasil: NIC.br, provedores e adocao em 2025

O Brasil tem uma trajetoria ativa em IPv6 desde 2008, quando o NIC.br lancou o programa IPv6.br para coordenar a transicao nacional. O site ipv6.br (NIC.br) pública métricas mensais de adocao por provedor, região e tipo de conexão.

Marco de 50% em 2025

Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 50% de tráfego transitando via IPv6, tornando o pais referência mundial na transicao segundo dados do NIC.br. O titulo de "revolução silenciosa do IPv6 no Brasil" e de fato apropriado: a maioria dos usuários não nota nada, porque o dual-stack (IPv4 e IPv6 simultaneos) faz a transicao de forma transparente. O Brasil figura entre os top-10 mundiais no ranking de adocao de IPv6 do Google em 2025.

50%
IPv6 BR
  • Brasil: ~50% IPv6 (2025)
  • Média global: ~42% IPv6 (2025)
  • Restante: IPv4 puro / CGNAT

Adocao de IPv6 no tráfego total (NIC.br / ipv6.br, 2025). Média global estimada pelo Google IPv6 Statistics.

Estado atual da adocao por provedor

Os provedores de fibra urbana lideram a adocao. Claro (AS28573) e Vivo (AS26599) atingiram indices acima de 40% de clientes com conectividade IPv6 ativa, segundo dados do LACNIC e do mesurador global APNIC. TIM (AS26615) avancou em IPv6 nas redes 5G, onde o protocolo e praticamente nativo.

A adocao e geograficamente desigual. Regiões metropolitanas do Sudeste (SP, RJ, BH) tem taxa muito maior do que Norte e Nordeste, onde provedores menores predominam e a atualizacao de infraestrutura e mais lenta. Usuários de internet satelital (Starlink, Hughes) frequentemente operam em IPv4 puro com CGNAT, sem IPv6 disponível.

LACNIC e o incentivo ao IPv6

O LACNIC estabeleceu desde 2012 que novos membros precisam demonstrar plano de adocao de IPv6 para receber alocações adicionais de IPv4. Essa política criou incentivo direto para que provedores brasileiros investissem em infraestrutura dual-stack. O LACNIC oferece blocos /32 de IPv6 sem custo adicional para membros, tornando o IPv6 economicamente atrativo.

Para verificar se sua conexão atual suporta IPv6, acesse a ferramenta Teste IPv6 desta pagina ou o test-ipv6.com, que mede conectividade IPv6 nativa versus tunelada e compara latência entre IPv4 e IPv6 para seu provedor.

Mecanismos de coexistencia IPv4/IPv6

A transicao de IPv4 para IPv6 não e um corte abrupto. Vários mecanismos permitem que os dois protocolos coexistam durante o periodo de transicao, que já dura mais de 15 anos e continuara por muitos mais.

Dual-stack: o mecanismo padrão

Dual-stack significa que um dispositivo ou servidor suporta IPv4 e IPv6 simultaneamente. Quando um cliente dual-stack acessa um servidor dual-stack, o algoritmo Happy Eyeballs (RFC 8305) tenta IPv6 primeiro e, se não houver resposta em 250ms, usa IPv4 como fallback. O Happy Eyeballs garante que o usuário não sofra degradacao de experiencia durante a transicao.

Mecanismos de coexistencia IPv4/IPv6 e quando usar cada um
Mecanismo Como funciona Caso de uso típico RFC
Dual-stack IPv4 e IPv6 ativos simultaneamente Padrão atual na maioria das redes RFC 4213
Happy Eyeballs Prefere IPv6, fallback automático para IPv4 em 250ms Clientes web modernos (Chrome, Firefox, Safari) RFC 8305
6in4 / 6to4 Tunelamento IPv6 dentro de pacotes IPv4 Acesso IPv6 em redes sem suporte nativo RFC 4213, 3056
NAT64 Traduz IPv6 para IPv4 no gateway do provedor Redes 5G IPv6-only acessando servidores IPv4 RFC 6146
464XLAT CLAT local + NAT64 no provedor Apps Android em redes IPv6-only (redes 5G TIM, Claro) RFC 6877
DS-Lite IPv4 tunelado sobre IPv6 (inverso do 6in4) Provedores que querem backbone IPv6-only com clientes IPv4 RFC 6333

NAT64 e 464XLAT: para redes IPv6-only

Provedores móveis como o TIM no Brasil estao implantando redes IPv6-only em 5G, onde dispositivos recebem apenas IPv6. Para acessar servidores que ainda só tem IPv4, o mecanismo NAT64 (RFC 6146) traduz conexões IPv6 para IPv4 no gateway da operadora. O 464XLAT (RFC 6877) complementa o NAT64 para aplicações que precisam de endereços IPv4 sinteticos localmente. Dispositivos Android tem suporte a 464XLAT desde o Android 5.0.

Perguntas frequentes sobre o que e IPv6

O que e IPv6 e por que foi criado?

IPv6 (Internet Protocol version 6) e a versão atual do Internet Protocol definida pelo RFC 8200, com endereços de 128 bits. Foi criado para resolver o esgotamento dos endereços IPv4 (32 bits, apenas 4,3 bilhoes de combinacoes). Com o crescimento de dispositivos conectados (smartphones, IoT, carros, eletrodomesticos), o espaço IPv4 foi completamente alocado em 2011. O IPv6 oferece 340 undecilhoes de endereços, suficiente para qualquer escala previsivel.

Como e o formato de um endereço IPv6?

Um endereço IPv6 tem 128 bits em oito grupos de quatro dígitos hexadecimais separados por dois-pontos: 2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334. Zeros a esquerda em cada grupo podem ser omitidos. Uma sequência continua de grupos zeros pode ser comprimida para "::", como em 2001:db8::1. O endereço loopback (equivalente ao 127.0.0.1) e ::1. O endereço link-local comeca com fe80::.

Meu provedor brasileiro já oferece IPv6?

Os principais provedores de fibra (Claro AS28573, Vivo AS26599) já entregam IPv6 para parcela significativa da base. TIM avancou em redes 5G. Oi e provedores regionais menores tem adocao variável. Para verificar se sua conexão atual tem IPv6, acesse a ferramenta Teste IPv6 desta pagina, que detecta conectividade IPv6 nativa, tunelada ou ausente. O NIC.br pública estatísticas mensais em ipv6.br por provedor e região.

IPv6 substitui o IPv4 completamente?

Não de imediato. A transicao e gradual e o dual-stack (IPv4 e IPv6 simultaneos) e o mecanismo padrão atual. Muitos servidores já atendem em IPv6 quando o cliente suporta (Google, Facebook, Cloudflare, Amazon AWS). IPv4 continuara em operação por muitos anos, especialmente em infraestrutura legada corporativa. No Brasil, mesmo com 50% de tráfego IPv6 em 2025, metade do tráfego ainda usa IPv4, principalmente por servidores e dispositivos que ainda não atualizaram.

IPv6 e mais seguro que IPv4?

IPv6 inclui suporte nativo a IPSec (autenticação e criptografia de pacotes), que no IPv4 e opcional. Mas isso não significa que IPv6 seja "mais seguro" automaticamente: a maioria das conexões usa TLS/HTTPS independente da versão do IP. IPv6 sem NAT expoe dispositivos diretamente na internet, o que eleva a importancia do firewall. Ataques de varredura de rede são mais difíceis em IPv6 (espaço muito grande para varredura aleatória), mas ataques direcionados continuam igual.

O que e SLAAC no IPv6?

SLAAC (Stateless Address Autoconfiguration, RFC 4862) e o mecanismo pelo qual um dispositivo IPv6 configura seu próprio endereço global sem precisar de servidor DHCP. O roteador anuncia o prefixo da rede via Router Advertisement (ICMPv6), e o dispositivo combina esse prefixo com um Interface Identifier gerado a partir do MAC ou aleatoriamente (RFC 8981). O RFC 8981 introduziu endereços temporarios que mudam periodicamente para preservar privacidade.

O que e o endereço link-local fe80:: no IPv6?

O endereço link-local (prefixo fe80::/10) e um endereço IPv6 válido apenas dentro da rede local imediata, não roteavel para outras redes. Todo dispositivo IPv6 configura automaticamente um endereço link-local ao se conectar a qualquer rede, antes mesmo de receber um endereço global. E usado para comunicação inicial com o roteador e para o Neighbor Discovery Protocol (NDP). E o equivalente IPv6 do endereço link-local APIPA (169.254.x.x) do IPv4.

Como verificar se minha conexão usa IPv6?

A ferramenta Teste IPv6 desta pagina detecta automaticamente se você tem conectividade IPv6 nativa, tunelada ou ausente, e mostra seu endereço IPv6 se disponível. Outra opcao e acessar test-ipv6.com, que compara latência IPv4 versus IPv6 e identifica o tipo de conectividade. Em sistemas Linux, o comando "ip -6 addr" lista todos os endereços IPv6 do dispositivo; no Windows, use "ipconfig" e procure por "Endereço IPv6".

Por que meu dispositivo tem vários endereços IPv6 ao mesmo tempo?

Isso e normal e esperado no IPv6. Um dispositivo tipicamente tem: um endereço link-local (fe80::...) autoconfigurado, um ou mais endereços globais SLAAC (um permanente e um temporario aleatório via RFC 8981), e possivelmente um endereço atribuido via DHCPv6. O endereço temporario muda periodicamente para proteger privacidade. O sistema operacional escolhe automaticamente qual endereço usar para cada conexão de saida, priorizando o temporario para conexões externas.

O que e o Happy Eyeballs no IPv6?

Happy Eyeballs (RFC 8305) e o algoritmo usado por navegadores e sistemas operacionais para escolher entre IPv4 e IPv6 de forma transparente ao usuário. Quando um site tem tanto registro A (IPv4) quanto AAAA (IPv6), o algoritmo tenta conectar via IPv6 primeiro. Se não houver resposta em 250ms, inicia simultaneamente uma tentativa via IPv4. A conexão mais rápida "ganha" e a outra e cancelada. Isso evita que usuários sofram lentidao caso o caminho IPv6 esteja com problemas.

IPv6 afeta minha privacidade diferente do IPv4?

Sim, ha diferenças. No IPv4 com NAT, o IP público identifica o roteador, não o dispositivo especifico. No IPv6 sem NAT, cada dispositivo tem um IP único e rastreavel entre sessões, a menos que endereços temporarios (RFC 8981) estejam ativos (são por padrão no Linux, Windows, macOS e Android). O endereço link-local fe80:: gerado via EUI-64 ainda pode revelar o MAC. Para maxima privacidade, confirme que endereços temporarios estao ativos no seu SO.

O IPv6 já e realidade no Brasil para usuários de fibra dos grandes provedores. A transicao não e urgente para o usuário final porque o dual-stack funciona de forma transparente, mas entender o que e IPv6 ajuda a interpretar configurações de rede, resolver problemas de conectividade e aproveitar melhor conexões em redes que já operam IPv6-only (redes 5G, por exemplo). Verifique se sua conexão suporta IPv6 na ferramenta Teste IPv6 desta pagina, e veja como o IPv6 se integra ao ecossistema maior nós artigos sobre o que e IP e o que e CGNAT.

A especificacao completa do IPv6 esta disponível gratuitamente no IETF em RFC 8200 (julho 2017, rfc-editor.org). O NIC.br também pública guias técnicos de implantação de IPv6 em nic.br/publicação/ipv6 para provedores e administradores de rede brasileiros.

Referências bibliograficas

  • Peterson, L. L.; Davie, B. S. Redes de Computadores: Uma Abordagem de Sistemas. 5a edição. Elsevier, 2013. (Capitulo 4 - Interligacao avançada de redes: IPv6)
  • Tanenbaum, A. S. Redes de Computadores. 4a edição. Campus, 2004. (Capitulo 5 - Camada de Rede)
  • Fernandez, M. P. Rede de Computadores. UAB/UECE, 2019. (Secao 1.5 - IPv6, p. 127-136)
  • Deering, S.; Hinden, R. RFC 8200 - Internet Protocol, Version 6 (IPv6) Specification. IETF, julho 2017.
  • Deering, S.; Hinden, R. RFC 2460 - Internet Protocol, Version 6 (IPv6) Specification. IETF, dezembro 1998 (obsoleto pelo RFC 8200).
  • NIC.br - Programa IPv6.br: métricas de adocao em https://ipv6.br
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