O que é CIDR?
CIDR (Classless Inter-Domain Routing) é o padrão que substituiu as classes A, B e C para representar redes IP. Notação, cálculo de prefixo e erros comuns.
CIDR (Classless Inter-Domain Routing) é o padrão que substituiu as classes fixas A, B e C no início dos anos 1990 e ainda governa como endereços IP são representados, distribuídos e anunciados na internet hoje. A notação barra que você vê em todo lugar, como 192.168.1.0/24, é CIDR. Ela resume em um único número quantos bits pertencem à parte de rede e quantos sobram para os hosts. Antes do CIDR, uma empresa precisando de 500 endereços IPv4 tinha que pedir um bloco Classe B inteiro com mais de 65 mil, jogando fora 99% do espaço. O CIDR resolveu isso ao permitir qualquer tamanho de bloco, de /0 a /32 no IPv4, e foi a principal medida que adiou por décadas o esgotamento completo do IPv4. Calcule qualquer bloco agora com a Calculadora CIDR deste site.
Neste artigo
- O problema do modelo classful
- Como ler a notação CIDR
- Diagrama de bits: como a barra divide o endereço
- Tabela completa de prefixos IPv4
- CIDR no IPv6
- Conversão para máscara decimal
- Subnetting e supernetting na prática
- CIDR e roteamento BGP global
- Erros comuns
- CIDR no contexto brasileiro
- Perguntas frequentes
O problema do modelo classful que CIDR veio resolver
No início dos anos 1980, o IPv4 usava um modelo de classes rígidas. O endereço IP dizia a qual classe pertencia pelos primeiros bits: classe A começava com 0 (blocos de 16 milhões de endereços), classe B com 10 (blocos de 65.534), classe C com 110 (blocos de 254 hosts). Não havia escolha intermediária. A tabela BGP global crescia com uma entrada por bloco classful, e o esgotamento dos blocos estava se acelerando.
Dois problemas concretos surgiram. O primeiro: desperdício brutal de endereços. Uma organização precisando de 500 hosts recebia um bloco Classe B com 65.534, desperdiçando mais de 99% dos endereços. O segundo: explosão da tabela de roteamento. Cada bloco Classe C adicionava uma entrada separada nos roteadores de backbone. Com milhares de redes novas por mês, os roteadores da época não tinham memória ou CPU suficientes para processar tabelas tão grandes.
| Classe | Primeiro octeto | Hosts por bloco | Problema |
|---|---|---|---|
| A | 1 a 126 | 16.777.214 | Blocos gigantescos; apenas 126 organizações podiam ter um |
| B | 128 a 191 | 65.534 | Atribuído a quem precisava de 300 hosts; 65.000 desperdiçados |
| C | 192 a 223 | 254 | Muito pequeno para redes médias; gerava múltiplas entradas BGP por organização |
O CIDR foi formalizado em 1993 pelas RFCs 1518 e 1519 e consolidado definitivamente pela RFC 4632 (2006, "Classless Inter-domain Routing: The Internet Address Assignment and Aggregation Plan"). A mudança fundamental foi simples: ao invés de determinar o tamanho do bloco pelo endereço, o tamanho passa a ser explícito no próprio prefixo.
Fundamentos acadêmicos do CIDR
O CIDR foi concebido como solução direta para o esgotamento precoce do IPv4. Tanenbaum explica o princípio central da notação:
"A ideia básica por trás do CIDR, descrito na RFC 1519, é alocar os endereços IP restantes em blocos de tamanho variável, sem levar em consideração as classes."
Andrew S. Tanenbaum - Redes de Computadores, 4ª edição, p. 341 (Campus, 2004)
A limitação do modelo classful que o CIDR resolveu fica clara em Fernandez:
"A organização por classes não é eficiente. É difícil uma organização utilizar toda uma classe A (16 milhões de endereços) e mesmo toda uma classe B (65.536 endereços). Por outro lado, uma classe C (256 endereços) é muito pequena para muitos casos. Para solucionar esse problema foi definida a metodologia CIDR onde podemos agregar várias classes C para formar uma rede maior."
Marcial Porto Fernandez - Rede de Computadores. UAB/UECE, 2019, p. 121
Peterson & Davie documentam a escala real de impacto do CIDR no roteamento global, com a diferença entre endereços totais e hosts utilizáveis em /24:
"uma rede de classe C poderia ter apenas 256 identificadores de host distintos, o que significava somente 254 hosts conectados (um identificador de host, 255, era reservado para broadcast, e 0 não era um número de host válido)."
Larry L. Peterson, Bruce S. Davie - Redes de Computadores: Uma Abordagem de Sistemas, 5ª edição, p. 132 (Elsevier, 2013)
Como ler a notação CIDR
A notação segue sempre o formato endereço/prefixo. O número após a barra indica quantos bits consecutivos, da esquerda para a direita, pertencem à parte de rede. Os bits restantes definem os hosts.
Leitura em IPv4 (32 bits no total)
No IPv4 o total de bits é 32. Com prefixo /24, a rede ocupa 24 bits e os hosts ocupam 8. A quantidade de endereços no bloco é sempre 2 elevado ao número de bits de host.
| Prefixo | Bits de rede | Bits de host | Endereços no bloco | Hosts usáveis | Uso típico |
|---|---|---|---|---|---|
/8 |
8 | 24 | 16.777.216 | 16.777.214 | Bloco privado 10.0.0.0/8 (RFC 1918) |
/16 |
16 | 16 | 65.536 | 65.534 | Campus universitário, datacenter médio |
/22 |
22 | 10 | 1.024 | 1.022 | Bloco mínimo alocado pelo LACNIC em IPv4 |
/24 |
24 | 8 | 256 | 254 | LAN padrão, VLAN corporativa |
/26 |
26 | 6 | 64 | 62 | Segmento de servidor, VLAN de IoT |
/27 |
27 | 5 | 32 | 30 | VLAN pequena, rede de gerência |
/29 |
29 | 3 | 8 | 6 | Link ponto a ponto com margem |
/30 |
30 | 2 | 4 | 2 | Link ponto a ponto legado |
/31 |
31 | 1 | 2 | 2 (RFC 3021) | Link ponto a ponto moderno, sem broadcast |
/32 |
32 | 0 | 1 | 0 (host route) | Loopback, rota estática para host único |
Cálculo rápido
Para descobrir o número de endereços de qualquer prefixo CIDR em IPv4: calcule 2 elevado a (32 menos o prefixo). Para /26: 2 elevado a 6, que dá 64 endereços totais. Descontando o endereço de rede (o primeiro) e o de broadcast (o último), sobram 62 hosts usáveis.
Diagrama de bits: como a barra divide o endereço
O conceito por trás do CIDR fica mais claro quando você vê os bits. O endereço 192.168.10.0/24 em binário mostra exatamente onde a divisão ocorre.
A divisão bit-a-bit de máscaras comuns aparece comparada na faixa abaixo. Cada célula representa 8 bits (um octeto); azul indica bits de rede, verde indica bits de host.
Tabela completa de prefixos CIDR para IPv4 (/8 a /32)
A tabela abaixo cobre os prefixos mais usados em projetos reais, do /8 ao /32, com máscara decimal equivalente e hosts usáveis. Os prefixos de /0 a /7 cobrem bilhões de endereços e são usados apenas em anúncios de rota padrão e sumários de backbone global.
| Prefixo CIDR | Máscara decimal | Endereços totais | Hosts usáveis |
|---|---|---|---|
| /8 | 255.0.0.0 | 16.777.216 | 16.777.214 |
| /9 | 255.128.0.0 | 8.388.608 | 8.388.606 |
| /10 | 255.192.0.0 | 4.194.304 | 4.194.302 |
| /12 | 255.240.0.0 | 1.048.576 | 1.048.574 |
| /16 | 255.255.0.0 | 65.536 | 65.534 |
| /20 | 255.255.240.0 | 4.096 | 4.094 |
| /21 | 255.255.248.0 | 2.048 | 2.046 |
| /22 | 255.255.252.0 | 1.024 | 1.022 |
| /23 | 255.255.254.0 | 512 | 510 |
| /24 | 255.255.255.0 | 256 | 254 |
| /25 | 255.255.255.128 | 128 | 126 |
| /26 | 255.255.255.192 | 64 | 62 |
| /27 | 255.255.255.224 | 32 | 30 |
| /28 | 255.255.255.240 | 16 | 14 |
| /29 | 255.255.255.248 | 8 | 6 |
| /30 | 255.255.255.252 | 4 | 2 |
| /31 | 255.255.255.254 | 2 | 2 (RFC 3021) |
| /32 | 255.255.255.255 | 1 | 0 (host route) |
- /24 - ~48% dos prefixos BGP globais
- /23 - ~24% dos prefixos BGP globais
- /22 - ~12% dos prefixos BGP globais
- Outros (/8 a /21 e /25+) - ~16%
Distribuição estimada dos prefixos IPv4 na tabela BGP global (DFZ) em início de 2026. Fonte: APNIC Blog, BGP in 2025, jan/2026.
CIDR no IPv6
O IPv6 nasceu já com notação CIDR. Não existiu era classful no IPv6. Com 128 bits de endereço, os prefixos usados na prática têm semântica muito diferente do IPv4.
| Prefixo | Uso | Quem atribui | Hosts possíveis no bloco |
|---|---|---|---|
/12 |
Prefixo agregado de RIR (ex: 2804::/12 para LACNIC) | IANA para RIR | 2116 |
/32 |
Alocação de RIR para ISP grande | LACNIC, RIPE, ARIN | 296 |
/48 |
Bloco de site para empresa ou cliente ISP | ISP para cliente | 280 |
/56 |
Bloco residencial ou pequena empresa | ISP para assinante | 272 |
/64 |
Sub-rede padrão de LAN (necessário para SLAAC) | Roteador local | 264 (ilimitado na prática) |
/128 |
Host único (loopback ::1, rota estática) | Configuração manual | 1 |
Uma sub-rede /64 em IPv6 contém mais endereços do que átomos estima-se existirem na Terra. O planejamento de hosts dentro de um segmento /64 é irrelevante na prática: qualquer /64 é suficiente para qualquer rede local, independentemente do tamanho. O planejamento de subnetting em IPv6 foca em quantas sub-redes o site vai precisar, não em quantos hosts por sub-rede.
O prefixo 2804::/12 é o bloco LACNIC para IPv6. Todas as organizações brasileiras que recebem endereços IPv6 do LACNIC recebem sub-blocos dentro dessa faixa. A Vivo anuncia 2804:7f4::/32, a Claro usa 2804:14c::/32.
Conversão entre prefixo CIDR e máscara decimal
No IPv4, prefixo CIDR e máscara decimal são representações diferentes da mesma informação. Conversão manual: preencha os primeiros N bits com 1 e os restantes com 0 até completar 32 bits. Agrupe a cada 8 bits e converta para decimal.
| Prefixo CIDR | Binário (32 bits) | Máscara decimal | Wildcard (ACL Cisco) |
|---|---|---|---|
| /24 | 11111111.11111111.11111111.00000000 | 255.255.255.0 | 0.0.0.255 |
| /25 | 11111111.11111111.11111111.10000000 | 255.255.255.128 | 0.0.0.127 |
| /26 | 11111111.11111111.11111111.11000000 | 255.255.255.192 | 0.0.0.63 |
| /27 | 11111111.11111111.11111111.11100000 | 255.255.255.224 | 0.0.0.31 |
| /28 | 11111111.11111111.11111111.11110000 | 255.255.255.240 | 0.0.0.15 |
| /30 | 11111111.11111111.11111111.11111100 | 255.255.255.252 | 0.0.0.3 |
A wildcard mask (máscara invertida) é usada em ACLs do Cisco IOS e no OSPF para definir o intervalo de endereços que uma regra cobre. O cálculo é simples: subtraia cada octeto da máscara decimal de 255. Para /27: 255-255=0, 255-255=0, 255-255=0, 255-224=31, resultando em 0.0.0.31.
Subnetting e supernetting na prática
Exemplo de subnetting: dividindo um /24 em quatro segmentos
Considere o bloco 192.168.10.0/24. Se você precisa de quatro segmentos iguais (servidores, desktops, Wi-Fi e IoT), divida em /26. Cada /26 tem 64 endereços e 62 hosts usáveis.
| Segmento | Network ID | Broadcast | Faixa usável | Hosts usáveis |
|---|---|---|---|---|
| Servidores | 192.168.10.0 |
192.168.10.63 |
.1 a .62 | 62 |
| Desktops | 192.168.10.64 |
192.168.10.127 |
.65 a .126 | 62 |
| Wi-Fi | 192.168.10.128 |
192.168.10.191 |
.129 a .190 | 62 |
| IoT | 192.168.10.192 |
192.168.10.255 |
.193 a .254 | 62 |
- Determine o número de segmentos necessários. Quatro segmentos exigem 2 bits emprestados dos bits de host (2² = 4). O prefixo sobe de /24 para /26.
- Calcule o intervalo de cada bloco. Com /26, cada bloco tem 64 endereços (2⁶). Os blocos começam em 0, 64, 128 e 192 no último octeto.
- Identifique network, broadcast e faixa usável. Network = primeiro endereço. Broadcast = último. Usáveis = tudo entre eles.
- Verifique o alinhamento. Cada bloco /26 deve começar em múltiplo de 64. Blocos desalinhados não podem ser sumarizados no futuro.
- Reserve margem de crescimento. Não ocupe mais de 70-80% de cada /26 imediatamente. Isso evita reendereçamento quando a rede cresce.
Supernetting: agregando rotas para reduzir a tabela BGP
O inverso também existe. Se você tem 192.168.10.0/24 e 192.168.11.0/24, pode anunciá-los como um único prefixo 192.168.10.0/23 no roteador de borda. Isso reduz a tabela de rotas do vizinho de 2 para 1 entrada. Funciona apenas quando os blocos são contíguos e alinhados binariamente. O bloco .10.0 e .11.0 se somam corretamente porque .10 em binário termina com 0 e .11 termina com 1, cobrindo o /23 inteiro.
Sumarizar blocos não contíguos ou mal alinhados cria rotas que cobrem endereços que não pertencem a você, gerando conflito de roteamento para outros sistemas autônomos.
CIDR e roteamento BGP global
O impacto mais duradouro do CIDR foi na tabela de roteamento global da internet, chamada DFZ (Default-Free Zone). Em 2005, quando a RFC 4632 foi publicada, a tabela BGP global tinha cerca de 160.000 prefixos. No início de 2026, segundo dados do APNIC Blog, a tabela IPv4 global ultrapassa 1,1 milhão de prefixos, com crescimento de cerca de 200 novas entradas por dia na segunda metade de 2025.
O CIDR é o que impede que esse número seja dez vezes maior. Sem sumarização de rotas, cada /24 de cada cliente de cada ISP estaria anunciado separadamente. Com CIDR, ISPs agregam os blocos de clientes antes de anunciar para o upstream: um único /16 representa até 256 redes /24 de clientes, mantendo a entrada na tabela global em 1 em vez de 256.
Prefixos de tamanho /24, /23 e /22 respondem por 84% da tabela IPv4 global no final de 2025 (fonte: APNIC Blog, BGP in 2025, jan/2026). A fragmentação da tabela aumenta o custo de operação dos roteadores de backbone, que precisam processar mais entradas para decidir o próximo salto de cada pacote.
Erros comuns ao trabalhar com CIDR
Mesmo administradores experientes cometem erros recorrentes. Os mais frequentes:
| Erro | Consequência | Solução |
|---|---|---|
| Tratar /32 como rede multi-host | Sem hosts usáveis; loopback e host route apenas | Usar /30 para link P2P com 2 hosts |
| Confundir subnetting com supernetting | ACLs e rotas com prefixos errados | Subnetting aumenta o prefixo (/24 para /26); supernetting diminui (/24 para /23) |
| Blocos desalinhados para sumarização | Rotas que cobrem endereços de terceiros | Verificar se o primeiro bloco termina em 0 binário no bit do limiar |
| Planejar para 100% de ocupação | Reendereçamento forçado quando a rede cresce | Dimensionar para no máximo 70-80% de ocupação imediata |
| Anunciar blocos mais específicos sem motivo | Polui tabela BGP global; pode violar política do provedor | Anunciar apenas o prefixo agregado quando possível |
CIDR no contexto brasileiro
O LACNIC opera em modo restrito de alocação de IPv4 desde 2014, quando o pool de blocos /8 da região foi esgotado. Organizações brasileiras que solicitam IPs IPv4 hoje recebem no máximo um bloco /22 (1.024 endereços). A fila de espera por IPv4 chegou a mais de 1.000 organizações aguardando em 2024, com espera de até 778 dias para o primeiro da fila.
Em IPv6, o LACNIC detém o prefixo 2804::/12, alocado pela IANA especificamente para a América Latina. Organizações brasileiras recebem sub-blocos desse espaço. A Vivo opera em 2804:7f4::/32; a Claro usa faixas dentro de 2804:14c::/32. Em 2024, o LACNIC realizou 251 alocações de IPv6 para organizações brasileiras.
ISPs brasileiros de pequeno e médio porte que recebem blocos do LACNIC tipicamente recebem um /22 em IPv4 (com justificativa de necessidade) e um /32 em IPv6. Esse /32 em IPv6 dá ao ISP capacidade de criar 65.536 sub-redes /48 para clientes corporativos ou mais de 16 milhões de sub-redes /64 para residenciais.
A ferramenta Calculadora CIDR do SaberMeuIP permite calcular qualquer subdivisão de bloco, verificar o alinhamento para sumarização e gerar a tabela completa de sub-redes dentro de qualquer prefixo.
Perguntas frequentes sobre CIDR
O que significa CIDR em redes de computadores?
CIDR (Classless Inter-Domain Routing) é o padrão atual para representar blocos de endereços IP usando um prefixo numérico após a barra, como /24. Ele substituiu o modelo classful dos anos 1980, que limitava blocos a tamanhos fixos de classes A, B e C. Com CIDR, qualquer tamanho de bloco é possível, de /0 (internet inteira) a /32 (host único no IPv4). O padrão está formalizado na RFC 4632 (2006).
Quantos hosts cabem em um /24?
Um bloco /24 tem 256 endereços totais (2 elevado a 8). Descontando o endereço de rede (o primeiro, ex: 192.168.1.0) e o endereço de broadcast (o último, ex: 192.168.1.255), sobram 254 endereços usáveis para hosts. O /24 equivale à máscara decimal 255.255.255.0 e é o prefixo mais comum em LANs corporativas e residenciais.
Qual a diferença entre /24 e 255.255.255.0?
As duas notações representam a mesma informação. /24 é a notação CIDR: 24 bits de rede, 8 de host. 255.255.255.0 é a máscara decimal equivalente: 24 bits em 1 seguidos de 8 bits em 0. Roteadores modernos aceitam ambas. A notação CIDR é preferida em documentação e scripts por ser mais compacta.
CIDR funciona para IPv6 também?
O IPv6 nasceu com notação CIDR desde o início. Prefixos como /48, /64 e /128 funcionam exatamente da mesma forma: o número indica quantos bits pertencem à rede. A diferença é que o espaço total é 128 bits, tornando blocos como /64 praticamente ilimitados em número de hosts (2 elevado a 64 endereços).
O que é supernetting e qual a relação com CIDR?
Supernetting é a agregação de blocos menores em um prefixo maior para reduzir o número de entradas na tabela de roteamento. O CIDR permite isso: dois blocos /24 contíguos e alinhados podem ser anunciados como um único /23. Isso é fundamental para a saúde da tabela BGP global, que no início de 2026 já ultrapassa 1,1 milhão de prefixos IPv4.
Como converter um prefixo CIDR para máscara decimal?
Preencha os primeiros N bits com 1 e o restante com 0 até completar 32 bits. Agrupe em quatro blocos de 8 e converta cada um para decimal. Para /27: os primeiros 27 bits em 1 resultam em 11111111.11111111.11111111.11100000, que converte para 255.255.255.224. A Calculadora CIDR do SaberMeuIP faz essa conversão automaticamente.
O que é wildcard mask e como calcular?
Wildcard mask é a máscara invertida usada em ACLs do Cisco IOS e no OSPF. Ela indica quais bits do endereço podem variar. O cálculo é: subtraia cada octeto da máscara decimal de 255. Para /24 (255.255.255.0): 255-255=0, 255-255=0, 255-255=0, 255-0=255, resultado 0.0.0.255. Para /27 (255.255.255.224): 0.0.0.31.
Por que o CIDR melhorou o roteamento na internet?
O CIDR permite que ISPs agreguem (sumarizem) múltiplas rotas em uma entrada única na tabela BGP antes de anunciar para o upstream. Sem CIDR, cada /24 de cada cliente geraria uma entrada separada nos roteadores de backbone global. Com CIDR, um /16 pode representar 256 redes /24 em uma única entrada. Essa sumarização mantém a tabela global gerenciável mesmo com mais de 1,1 milhão de prefixos IPv4 em 2026.
Qual é o menor bloco IPv4 que o LACNIC aloca para organizações brasileiras hoje?
Desde que o LACNIC entrou em modo restrito em junho de 2014, o bloco mínimo alocado é um /22 (1.024 endereços, 1.022 usáveis). Para receber um /22, a organização precisa justificar a necessidade e estar na fila de espera, que em 2024 chegou a mais de 1.000 organizações aguardando. O LACNIC distribui blocos /22 conforme blocos devolvidos por outras organizações ficam disponíveis.
O que é VLSM e qual a relação com CIDR?
VLSM (Variable Length Subnet Masking) é a técnica de usar máscaras de comprimento diferente em sub-redes distintas dentro do mesmo espaço de endereçamento. O CIDR viabiliza o VLSM ao eliminar a restrição das classes fixas. Com VLSM, você pode ter um /26 para servidores, um /30 para links ponto a ponto e um /24 para desktops, todos dentro do mesmo bloco maior, sem desperdiçar endereços.
Como o CIDR ajudou a atrasar o esgotamento do IPv4?
O CIDR eliminou o desperdício das classes fixas: uma organização que precisava de 300 hosts recebia exatamente um /23 (510 hosts) em vez de um bloco Classe B com 65.534. Isso multiplicou o número de organizações que poderiam ser atendidas com os endereços disponíveis. Especialistas estimam que sem o CIDR o IPv4 teria se esgotado nos anos 1990, não em 2011. Mesmo assim, o IPv6 continua sendo a única solução permanente para o esgotamento.
CIDR é o vocabulário fundamental para quem projeta redes, escreve regras de firewall, configura roteadores ou interpreta anúncios BGP. A notação /24, /26, /30 que aparece em toda ferramenta de rede tem como fonte a RFC 4632, que consolidou o padrão em 2006 após mais de uma década de uso. Para calcular subdivisões, converter prefixos e gerar tabelas de sub-redes, use a Calculadora CIDR. Para entender a camada abaixo do CIDR, o artigo O que é subnet detalha como a máscara divide o espaço de endereçamento em domínios de broadcast isolados.
Referências bibliográficas
- Tanenbaum, A. S. Redes de Computadores. 4ª edição. Campus, 2004. (Seção 5.6.3 - CIDR, p. 340-342)
- Peterson, L. L.; Davie, B. S. Redes de Computadores: Uma Abordagem de Sistemas. 5ª edição. Elsevier, 2013. (Capítulo 3 - Classes e subnetting)
- Fernandez, M. P. Rede de Computadores. UAB/UECE, 2019. (Seção 1.1.3 - CIDR, p. 121-123)
- Fuller, V.; Li, T. RFC 4632 - Classless Inter-domain Routing (CIDR): The Internet Address Assignment and Aggregation Plan. IETF, agosto 2006.
- Rekhter, Y.; Lothberg, P.; Hinden, R.; Deering, S.; Postel, J. RFC 1518 - An Architecture for IP Address Allocation with CIDR. IETF, setembro 1993.
- APNIC Blog - BGP in 2025: análise de prefixos na tabela DFZ global (jan/2026). Disponível em https://blog.apnic.net
Calculadora CIDR online
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