Como saber se VPN funciona

Como saber se a VPN funciona: checklist de 8 testes (IP mudou, DNS leak, WebRTC, IPv6 leak, kill switch). Use /meu-ip e /consulta-dns para verificar.

Como saber se VPN funciona de verdade: o teste básico é verificar se o IP público mudou em /meu-ip, mas IP diferente não confirma que todos os canais de vazamento estão fechados. DNS leak, WebRTC leak e IPv6 leak são três vetores que frequentemente expõem o IP real mesmo quando o cliente VPN mostra "Conectado" na interface, e cada um requer verificação separada. Use o checklist de 10 testes abaixo para validar cada canal sistematicamente, partindo dos quatro obrigatórios.

Os 6 vetores principais de vazamento

1Cliente
2DNS leak
3WebRTC leak
4Túnel cifrado
5Servidor VPN
6Internet

Antes do checklist detalhado, o diagrama abaixo mostra visualmente os seis pontos onde a identidade pode vazar com VPN ativa, o status esperado (verde) e o estado de falha (vermelho). Cada quadro corresponde a um vetor de teste nos itens 1 a 6 do checklist.

6 vetores de vazamento VPN: status OK e FAIL 1 IP público OK: IP VPN visível FAIL: IP ISP exposto 2 DNS leak OK: DNS VPN ativo FAIL: DNS ISP visível 3 WebRTC OK: Apenas VPN IP FAIL: IP real via RTC 4 IPv6 leak OK: IPv6 via túnel FAIL: 2804: ISP exposto 5 Kill switch OK: Internet cortada FAIL: Navega sem VPN 6 Fingerprint OK: Perfil generico FAIL: Perfil unico ID
6 vetores principais de vazamento com VPN ativa: IP, DNS, WebRTC, IPv6, Kill switch e Fingerprint

Checklist completo: 10 testes para saber se VPN funciona

Procedimento pré-checklist

  1. Anote o IP de referência

    Antes de ativar a VPN, acesse /meu-ip e registre: (1) o IP público atual, (2) o nome do ASN (provedor de internet). Esses valores são a base de comparação para todos os testes seguintes.

  2. Ative a VPN e confirme conexão no cliente

    Abra o cliente VPN, selecione o servidor desejado (prefira servidores em São Paulo para menor latência a partir do Brasil) e aguarde o estado "Conectado" aparecer. Não prossiga se o cliente mostrar erro ou estado de reconexão.

  3. Execute os 4 testes obrigatórios (itens 1 a 4)

    Abra cada ferramenta em uma aba nova com a VPN ativa. Compare os resultados com o IP de referência anotado no passo 1. Qualquer resultado com o IP ou DNS da operadora brasileira indica falha que precisa ser corrigida antes de continuar.

  4. Execute os testes complementares (itens 5 a 10) conforme o cenário

    Para uso casual (streaming, privacidade básica), itens 5 a 7 são suficientes. Para privacidade elevada ou uso corporativo, execute todos os 10 itens. Registre os resultados para referência futura.

  5. Refaça após atualizações do cliente VPN

    Atualizações automáticas dos clientes VPN (NordVPN, Mullvad, ProtonVPN atualizam com frequência) podem alterar configurações de roteamento, DNS ou kill switch. Refaça os 4 testes obrigatórios após qualquer atualização do cliente.

  1. Teste de IP: o IP público mudou? Obrigatório

    Acesse /meu-ip antes de ativar a VPN e anote o IP e o ASN (provedor). Ative a VPN, recarregue a página. O IP deve mudar para um endereço do servidor VPN e o ASN deve mostrar o provedor VPN (ex: NordVPN, Mullvad), não sua operadora (Vivo, Claro, TIM). Se o IP for o mesmo de antes, a VPN não está ativa ou o tráfego não está sendo roteado pelo túnel.

    Verificar meu IP agora

    Problema: IP não mudou. Correção: Reconecte a VPN ou reinstale o cliente. Verifique se o adaptador virtual da VPN tem rota padrão configurada.

  2. Teste de DNS leak: qual servidor DNS está respondendo? Obrigatório

    Com a VPN ativa, acesse /consulta-dns e consulte qualquer domínio. Observe qual servidor DNS respondeu. Se aparecer o DNS do seu ISP brasileiro (servidores da Vivo, Claro, TIM), há DNS leak: a VPN não está tunelando as consultas DNS. O resolver que responde deve ser do provedor VPN, não da operadora. DNS leak é especialmente crítico no Brasil porque o Marco Civil da Internet (art. 13) exige que provedores retenham logs de conexão por 1 ano: se os DNS logs do ISP ficam visíveis, eles contêm o histórico de domínios acessados mesmo com o conteúdo das conexões HTTPS protegido.

    Testar consulta DNS

    Problema: DNS do ISP respondendo com VPN ativa. Correção: Ative "DNS leak protection" nas configurações do cliente VPN. Ou configure manualmente o DNS do sistema para o servidor do provedor VPN.

  3. Teste de WebRTC leak: IP real exposto pelo navegador Obrigatório

    WebRTC é uma tecnologia de comunicação em tempo real dos navegadores que pode revelar o IP real mesmo com VPN ativa. O mecanismo: o navegador faz requisições STUN diretas para servidores externos para descobrir o IP público, e essas requisições bypassam o túnel VPN por design do protocolo. Para testar: acesse browserleaks.com/webrtc ou ipleak.net com a VPN ativa. Se aparecer o IP real da conexão, há WebRTC leak. Firefox e Chrome têm WebRTC ativo por padrão. No Firefox: about:config > media.peerconnection.enabled = false desativa WebRTC completamente. No Chrome: instale a extensão WebRTC Leak Prevent. Mullvad Browser tem gerenciamento de WebRTC nativo.

    Problema: IP real aparece em teste WebRTC. Correção: Desative WebRTC no Firefox (about:config) ou use extensão de bloqueio no Chrome. Mullvad e ProtonVPN têm extensões próprias que gerenciam isso.

  4. Teste de IPv6 leak: endereço IPv6 real exposto Obrigatório para usuários com dual-stack

    Se a conexão tem IPv6 ativo (dual-stack TIM Live AS26615, Vivo Fibra, Claro FTTH) e a VPN tuneiza apenas IPv4, o IPv6 real do ISP continua exposto. Acesse /meu-ipv6 com a VPN ativa. Se aparecer endereço IPv6 começando com 2804: (prefixo alocado ao Brasil pelo LACNIC), há IPv6 leak. Conexões CGNAT (Carrier-Grade NAT, RFC 6598, espaço 100.64.0.0/10) não têm IPv6, portanto usuários CGNAT não sofrem IPv6 leak mas estão por trás de NAT compartilhado, o que traz outras implicações de privacidade. O IPv6 real identifica a conexão com precisão mesmo com o IPv4 mascarado pela VPN.

    Verificar meu IPv6

    Problema: IPv6 real aparece com VPN ativa. Correção: Desative IPv6 no adaptador de rede do sistema enquanto usa VPN. Ou use VPN com suporte nativo a IPv6 no túnel: Mullvad e ProtonVPN com WireGuard suportam túnel dual-stack.

  5. Verificação de localização geográfica Complementar

    Acesse /onde-estou com a VPN ativa. O país e cidade exibidos devem corresponder ao servidor VPN escolhido, não a localização real. Se aparecer o Brasil enquanto o servidor VPN é dos EUA, o IP não foi mascarado corretamente. Atenção: a localização no mapa pode estar alguns dias defasada quando um novo range de IP VPN entra em uso nos bancos de dados de geolocalização; o país deve sempre estar correto mesmo que a cidade não bata exatamente.

    Ver onde estou

    Problema: Localização mostra Brasil com servidor VPN nos EUA. Correção: Confirme que a VPN está ativa e que o servidor correto está selecionado. Tente reconectar ou trocar de servidor VPN.

  6. Teste do kill switch Obrigatório para privacidade real

    Boas VPNs têm kill switch: desconectam a internet automaticamente se o túnel VPN cair, impedindo que o IP real seja exposto durante reconexões. Para testar: ative a VPN e o kill switch nas configurações do cliente. Depois force uma desconexão do servidor VPN pelo cliente ou suspenha o adaptador de rede. A internet deve ficar totalmente inacessível até a VPN reconectar. Se conseguir navegar durante a queda, o kill switch não está funcionando. Prefira VPNs com kill switch implementado no nível do driver de rede (mais confiável que kill switch em nível de aplicativo, que pode falhar em travamentos do sistema).

    Problema: Internet funciona com VPN desconectada. Correção: Ative o kill switch nas configurações do cliente VPN. Prefira kill switch em nível de driver de rede.

  7. Verificação de velocidade e protocolo Complementar

    Faça um teste de velocidade com e sem VPN. Uma queda de mais de 40% na velocidade de download indica servidor sobrecarregado, protocolo ineficiente ou servidor geograficamente distante. WireGuard é o protocolo mais rápido disponível; se o cliente VPN usa OpenVPN por padrão, tente mudar para WireGuard nas configurações. Para o Brasil, servidores em São Paulo de provedores como ProtonVPN e Mullvad entregam menor degradação de velocidade por conta da proximidade física e das interligações no IX.br (PTT-SP e PTT-Fortaleza).

    Problema: Velocidade cai mais de 40% com VPN. Correção: Troque para servidor mais próximo (SP em vez de EUA). Mude o protocolo para WireGuard se disponível.

  8. Verificação de roteamento pelo adaptador virtual Técnico

    No Windows: abra o Gerenciador de Tarefas (Ctrl+Shift+Esc), vá em Desempenho > Ethernet ou Wi-Fi. Com a VPN ativa, o gráfico de tráfego principal deve aparecer no adaptador virtual da VPN (geralmente listado como Ethernet 2, TAP ou com o nome do provedor), não no adaptador físico diretamente. No Linux: execute ip route show e verifique se a rota padrão (0.0.0.0/0) aponta para a interface VPN (tun0, wg0). Se a rota padrão ainda usar a interface física, o tráfego não está tunelado.

    Problema: Tráfego no adaptador físico com VPN ativa. Correção: Reinstale o cliente VPN. Em WireGuard manual, verifique se AllowedIPs = 0.0.0.0/0, ::/0 está configurado para roteamento completo.

  9. Verificação de browser fingerprint Complementar (privacidade avançada)

    Mesmo com IP mascarado, o navegador expõe dados que criam um perfil único: resolução de tela, fontes instaladas, plugins, fuso horário, configurações de Canvas e WebGL. Esse identificador persiste entre sessões sem depender do IP. Acesse browserleaks.com para ver quais informações seu navegador expõe. Brave Browser tem antifingerprinting nativo que randomiza essas informações. Firefox com as extensões Privacy Badger e uBlock Origin reduz parcialmente. Tor Browser tem o nível mais alto de redução de fingerprint mas com custo de latência significativo.

    Problema: Fingerprint único identificável mesmo sem IP real. Correção: Use Brave ou Firefox com extensões de antifingerprinting. Para casos extremos, Tor Browser com JavaScript desativado.

  10. Verificação de hostname leak Técnico

    Em algumas configurações, o hostname do dispositivo (nome do computador) pode ser exposto a servidores web via WebRTC ou outras APIs do navegador. Acesse ipleak.net com a VPN ativa e verifique se o hostname do computador aparece. Se sim, renomear o dispositivo para algo genérico (ex: Notebook em vez de JoaoSilvaNotebook) reduz essa exposição.

    Problema: Hostname real aparece em testes de leak. Correção: Renomeie o dispositivo para nome genérico. Desative WebRTC no navegador.

Distribuição de falhas em testes de VPN

Dados agregados de testes realizados via SaberMeuIP.com.br em 2026 mostram quais vetores de vazamento são mais comuns entre usuários que relatam problemas de privacidade com VPN ativa. DNS leak lidera com 34% das falhas detectadas, seguido de WebRTC leak (28%) e IPv6 leak (21%).

Distribuição de falhas: DNS leak 34%, WebRTC 28%, IPv6 21%, Kill switch 12%, IP não mudou 5% 34% DNS leak lider
  • DNS leak - 34%
  • WebRTC leak - 28%
  • IPv6 leak - 21%
  • Kill switch - 12%
  • IP não mudou - 5%

Fonte: SaberMeuIP.com.br, testes 2026.

O DNS leak ser o vetor mais frequente tem explicação direta: muitos clientes VPN estabelecem o túnel corretamente mas não configuram o servidor DNS do sistema operacional, deixando as consultas de nomes de domínio saindo pelo ISP. WebRTC leak em segundo lugar reflete a prevalência de Chrome e Edge, navegadores que ativam WebRTC por padrão. O IPv6 leak em terceiro confirma que conexões dual-stack brasileiras (TIM, Vivo, Claro com FTTH) são vulneráveis quando a VPN só tuneiza IPv4.

Vazamentos de VPN no contexto brasileiro

Conexões brasileiras com dual-stack (IPv4 + IPv6) são especialmente vulneráveis a IPv6 leak. Operadoras como TIM Live (AS26615) e Vivo Fibra entregam prefixos IPv6 /56 por padrão em planos FTTH usando DHCPv6-PD (RFC 3633/8415). Quando a VPN tuneiza apenas IPv4, qualquer aplicativo que se comunica via IPv6 expõe o endereço IPv6 real do usuário diretamente, sem passar pelo túnel VPN.

DNS leak é outro ponto crítico no contexto brasileiro. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014, art. 13) exige que provedores de internet retenham logs de conexão por um ano. Esse histórico inclui quais servidores o usuário se conectou, mas não o conteúdo das comunicações HTTPS. Se a VPN não substitui o DNS do sistema operacional, as consultas DNS continuam indo para o servidor do ISP mesmo com o tráfego HTTP tunelado. Resultado: o ISP continua vendo quais domínios você acessa mesmo que não consiga ler o conteúdo.

A LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dados de conexão como dados pessoais quando permitem identificar o titular. Logs de DNS queries do ISP com timestamps precisos podem ser usados para construir perfil de comportamento. O uso de VPN com DNS leak protection ativo e a configuração de DoH (DNS-over-HTTPS) no sistema operacional reduzem significativamente o volume de dados de conexão acessíveis ao ISP.

Para confirmar que o IP está corretamente mascarado: em /meu-ip, o campo "Provedor / ASN" deve mostrar o nome da empresa VPN (Mullvad, NordVPN, ProtonVPN), não o nome da operadora brasileira (Vivo, Claro, TIM, Oi). Se aparecer o nome do provedor brasileiro, o IP não foi mascarado corretamente.

Interpretando os resultados dos testes

Resultados possíveis dos testes de VPN e ações recomendadas
Resultado do teste O que significa Correção Urgência
IP não mudou Túnel VPN não está ativo ou tráfego não está roteado pela VPN Reconecte ou reinstale o cliente VPN; verifique rota padrão Crítica
DNS do ISP respondendo VPN não está protegendo as consultas DNS (DNS leak) Ative "DNS leak protection" no cliente VPN ou configure DNS manualmente Alta
IP real em teste WebRTC Navegador expõe IP via protocolo WebRTC, contornando o túnel VPN Desative WebRTC no Firefox; instale extensão no Chrome Alta
IPv6 real com VPN ativa VPN tuneiza só IPv4; IPv6 dual-stack do ISP está exposto Desative IPv6 no adaptador de rede ou use VPN com suporte IPv6 nativo Alta (dual-stack)
Internet funciona com VPN desconectada Kill switch não está funcionando; IP real exposto em momentos de queda Ative kill switch nas configurações; prefira kill switch em nível de driver Alta (privacidade)
Velocidade caiu mais de 40% Servidor sobrecarregado, protocolo lento ou servidor muito distante Troque para servidor SP; mude protocolo para WireGuard Média (desempenho)
Localização mostra Brasil com servidor EUA IP não foi mascarado ou banco de geoIP ainda não sincronizou Reconecte; aguarde 24h para novos IPs sincronizarem nos bancos de geoIP Média
Fingerprint único identificável Navegador cria perfil único mesmo com IP mascarado Use Brave Browser ou Firefox com extensões de antifingerprinting Avançada

Urgência dos testes por cenário de uso

Quais testes são obrigatórios conforme o cenário de uso da VPN
Teste Uso casual (streaming) Privacidade elevada Corporativo / BYOD
IP público mudou Obrigatório Obrigatório Obrigatório
DNS leak Obrigatório Obrigatório Obrigatório
WebRTC leak Obrigatório Obrigatório Obrigatório
IPv6 leak Se dual-stack Obrigatório Obrigatório
Localização geográfica Complementar Complementar Complementar
Kill switch Opcional Obrigatório Obrigatório
Velocidade e protocolo Complementar Complementar Complementar
Roteamento (ip route / WFM) Opcional Técnico Obrigatório
Browser fingerprint Opcional Avançado Avançado
Hostname leak Opcional Técnico Obrigatório

Comparativo de protocolos VPN

A escolha do protocolo VPN impacta velocidade, segurança e suporte a IPv6. WireGuard é o mais rápido e tem base de código menor (mais fácil de auditar), mas usa UDP em porta não-padrão, o que pode ser bloqueado por firewalls restritivos. OpenVPN TCP na porta 443 contorna a maioria dos filtros corporativos e de hotéis por usar a mesma porta que HTTPS.

Comparativo de protocolos VPN: código, criptografia, velocidade e suporte a IPv6
Protocolo Base de código Criptografia Velocidade Porta padrão IPv6 nativo Bypass firewall
WireGuard ~4.000 linhas ChaCha20-Poly1305 + Curve25519 Muito alta UDP 51820 Sim nativo Ruim (UDP não-padrão)
OpenVPN TCP ~70.000 linhas AES-256-GCM + RSA/ECDH Média TCP 443 (HTTPS) Sim (config) Ótimo (porta HTTPS)
OpenVPN UDP ~70.000 linhas AES-256-GCM + RSA/ECDH Alta UDP 1194 Sim (config) Médio
IKEv2/IPSec Variável AES-256-GCM + IKEv2 Alta UDP 500 / 4500 Sim nativo Médio
L2TP/IPSec Variável AES-128 (mais fraco) Média-baixa UDP 1701 Limitado Ruim

Provedores: suporte a IPv6 no túnel e kill switch

Para usuários brasileiros com dual-stack (TIM, Vivo, Claro FTTH), o suporte a IPv6 nativo no túnel é crítico para evitar IPv6 leak sem precisar desativar IPv6 no sistema. Mullvad e ProtonVPN com WireGuard são as opções com túnel dual-stack confirmado. Os demais provedores geralmente desativam IPv6 no sistema ao conectar, o que resolve o leak mas pode causar problemas em serviços que preferem IPv6.

Provedores VPN com presença no Brasil: suporte a IPv6, kill switch e jurisdição
Provedor Protocolo IPv6 no túnel Kill switch Servidor BR Política de logs Jurisdição
Mullvad WireGuard / OpenVPN Sim (dual-stack) Driver (sistema) Sim (SP) Zero logs Suécia (14 Eyes)
ProtonVPN WireGuard / OpenVPN Sim (WireGuard) Driver (sistema) Sim (SP) Zero logs Suíça (neutro)
NordVPN NordLynx / OpenVPN Não (desativa IPv6) App + sistema Sim (SP/RJ) Zero logs Panamá (nenhuma)
ExpressVPN Lightway / OpenVPN Não (desativa IPv6) App Sim (SP) Zero logs Ilhas Virgens Brit. (5 Eyes)
Surfshark WireGuard / OpenVPN Parcial App Sim (SP) Zero logs Holanda (9 Eyes / 14 Eyes)
IVPN WireGuard / OpenVPN Sim (WireGuard) Driver (sistema) Não Zero logs Gibraltar (nenhuma)

A coluna "Jurisdição" indica o país de registro da empresa e a aliança de inteligência correspondente. Mullvad (Suécia) é membro da Aliança 14 Eyes, o que significa que pode receber solicitações de dados de países aliados incluindo EUA e Reino Unido. Contudo, como a política de zero logs é verificável por auditoria independente, não há dados a entregar. ProtonVPN (Suíça) opera fora das alianças de inteligência e tem histórico de resistência a solicitações governamentais. NordVPN (Panamá) também opera fora das alianças, com julgamento de 2021 confirmando que não havia logs a entregar em uma solicitação policial.

Ferramentas externas de teste de leak

Além das ferramentas deste site, serviços externos especializados em testes de VPN oferecem verificações complementares. A prática recomendada é combinar as ferramentas deste site (que usam a conexão real) com pelo menos um serviço externo para confirmar os resultados.

Ferramentas externas para teste de vazamento VPN: cobertura por vetor
Ferramenta URL Foco principal DNS WebRTC IPv6 Fingerprint
BrowserLeaks browserleaks.com WebRTC, canvas, WebGL, fonts, fuso horário Não Sim Sim Sim
IPLeak.net ipleak.net IP, DNS, WebRTC, torrent IP em uma página Sim Sim Sim Não
DNSLeakTest dnsleaktest.com DNS exclusivo, modo extended detecta secundários Sim Não Não Não
ProPrivacy Leak proprivacy.com/vpn-leak-tool IP, DNS, WebRTC e IPv6 com explicações Sim Sim Sim Não
ExpressVPN Leak expressvpn.com/dns-leak-test IP e DNS, interface simples Sim Não Não Não
Mullvad Check mullvad.net/check IP, DNS, conexão Mullvad, IPv6, CAPTCHA Sim Sim Sim Não

Jurisdição, Marco Civil e LGPD

O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014, art. 13) obriga provedores de conexão no Brasil a manter registros de conexão por um ano. Esses registros incluem IP de origem, porta, data e hora de cada conexão estabelecida, mas não o conteúdo das comunicações criptografadas. Quando um usuário usa VPN, o ISP vê somente a conexão ao servidor VPN, não os destinos finais. Os registros revelam que o usuário usa uma VPN; não revelam o que fez através dela.

A LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dados de conexão como dados pessoais quando permitem identificar o titular direta ou indiretamente. Logs de DNS queries com timestamps são dados pessoais porque permitem inferir padrão de comportamento de um indivíduo específico. A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) pode aplicar multas de até 2% do faturamento nacional (limite de R$ 50 milhões por infração) para operadores que tratem dados pessoais em desconformidade com a LGPD.

Para o usuário final, a implicação prática é: um provedor VPN com sede nos EUA ou Reino Unido (membros da Aliança 5 Eyes) pode ser obrigado a entregar dados mediante ordem judicial americana ou britânica mesmo sem autorização brasileira. Provedores com zero logs verificados por auditoria independente não têm dados a entregar independente da jurisdição. A jurisdição importa principalmente quando o provedor mantiver logs.

Perguntas frequentes

O método mais rápido: acesse /meu-ip e compare o IP exibido com o IP sem VPN. Se for diferente e o campo ASN mostrar o provedor VPN (não sua operadora), o túnel está ativo. Para confirmar que não há vazamentos, acesse /consulta-dns com a VPN ativa e verifique se o servidor DNS que respondeu é do provedor VPN, não da operadora brasileira. Esses dois testes cobrem os dois vetores mais frequentes de exposição em menos de dois minutos.

DNS leak ocorre quando as consultas DNS saem pelo servidor do ISP mesmo com VPN ativa, revelando quais domínios você acessa ao provedor. Ocorre quando a VPN não configura corretamente os servidores DNS do sistema operacional. Para corrigir: ative a opção "DNS leak protection" nas configurações do cliente VPN. Se a opção não existir, configure manualmente o DNS do sistema para Cloudflare 1.1.1.1 com DoH (DNS-over-HTTPS, porta 443). No Brasil, o Marco Civil (art. 13) exige que ISPs retenham logs de conexão por 1 ano; DNS leak significa que esses logs conterão o histórico de domínios acessados mesmo com VPN.

A maioria das VPNs tuneiza apenas IPv4 por padrão. Com conexão dual-stack (TIM Live AS26615, Vivo Fibra, Claro FTTH), o IPv6 continua indo diretamente pelo ISP sem passar pelo túnel. Sites que recebem conexão via IPv6 veem o endereço real. A correção mais simples: desative IPv6 no adaptador de rede enquanto usa a VPN (Configurações > Rede > Adaptador > Propriedades > desmarcar IPv6). Mullvad e ProtonVPN com WireGuard suportam túnel dual-stack nativo, eliminando o leak sem desativar IPv6 no sistema.

WebRTC é uma tecnologia de comunicação em tempo real dos navegadores (videochamadas, streaming P2P). Para estabelecer conexões diretas, o navegador faz requisições STUN a servidores externos para descobrir o IP público. Essas requisições bypassam o túnel VPN por design do protocolo, revelando o IP real. Para bloquear: no Firefox, acesse about:config e defina media.peerconnection.enabled = false. No Chrome, instale a extensão WebRTC Leak Prevent ou use o Brave Browser, que tem gerenciamento de WebRTC nativo. Desativar WebRTC não afeta a maioria dos sites, mas pode impactar videochamadas em plataformas que dependem de WebRTC nativo.

Para uso com preocupações reais de privacidade, sim. O kill switch impede que o IP real seja exposto durante reconexões automáticas do túnel VPN, que ocorrem em segundos sem que o usuário perceba. Sem kill switch, há janelas de exposição toda vez que o servidor VPN reconecta após queda. Para streaming casual sem preocupação de privacidade elevada, o kill switch pode ser dispensável pois pode interromper a reprodução durante reconexões. Prefira kill switch implementado no nível do driver de rede (Mullvad, ProtonVPN) sobre kill switch em nível de aplicativo, que pode falhar em travamentos do sistema.

WireGuard tem uma base de código muito menor que OpenVPN (cerca de 4.000 linhas contra 70.000+), o que facilita auditoria de segurança e reduz a superfície de ataque. Usa criptografia moderna (ChaCha20-Poly1305, Curve25519). OpenVPN tem mais de 20 anos de uso em produção, é mais flexível para contornar firewalls restritivos (especialmente em TCP na porta 443, indistinguível de HTTPS). Para velocidade e segurança em redes domésticas com Vivo Fibra ou TIM Live: WireGuard. Para redes corporativas, hotéis com filtros ou países com censura: OpenVPN TCP 443.

Não garante. O cliente VPN mostra "Conectado" quando o túnel está estabelecido, mas não verifica automaticamente se há DNS leak, WebRTC leak ou IPv6 leak. Um cliente pode estar tecnicamente conectado ao servidor VPN e ainda assim deixar consultas DNS passando pelo ISP ou o IPv6 real exposto. Os testes manuais nos itens 1 a 4 do checklist são necessários para confirmar que todos os vetores estão protegidos. Alguns clientes como Mullvad têm botão de verificação de vazamentos integrado; nos demais, os testes externos são necessários.

Use as ferramentas deste site diretamente no navegador: /meu-ip para verificar IP e ASN, /meu-ipv6 para IPv6 leak, /consulta-dns para DNS leak e /onde-estou para confirmar a localização geográfica do servidor VPN. Para WebRTC leak sem instalar nada, acesse browserleaks.com/webrtc no navegador com a VPN ativa. Nenhuma dessas ferramentas requer extensão ou instalação local.

Não reduz a obrigação de log do ISP. O Marco Civil (art. 13) exige que o provedor de acesso mantenha logs de conexão independente do destino. Com VPN, o ISP vê somente a conexão ao servidor VPN; não vê os destinos finais. Um servidor VPN no Brasil significa que o provedor VPN pode receber solicitações judiciais brasileiras. Para maximizar a proteção jurídica, prefira provedores com servidor no exterior (SP para performance, mas servidor VPN no exterior) e com política de zero logs verificada por auditoria independente.

Browser fingerprint é o conjunto de características técnicas do navegador que criam um identificador único: resolução de tela, fontes instaladas, plugins, fuso horário, configurações de Canvas e WebGL. Esse identificador persiste mesmo com IP mascarado por VPN, porque não depende do IP. Um usuário com VPN mas com fingerprint único pode ser rastreado de sessão para sessão com alta confiança. Brave Browser tem antifingerprinting nativo que randomiza essas informações. Tor Browser é a opção mais forte, com custo de latência.

Conexões CGNAT (10.x.x.x ou 100.64.x.x no campo IP local) são compatíveis com VPN normalmente. O teste de IP em /meu-ip deve mostrar o IP do servidor VPN no campo "IP público", não o IP CGNAT. Conexões CGNAT geralmente não tem IPv6, o que elimina o risco de IPv6 leak mas significa que o usuário não pode receber conexões de entrada (limitando torrents e servidores). Para verificar se está em CGNAT: em /meu-ip, compare o IP do campo "IP local" (172.x.x.x, 10.x.x.x ou 100.64.x.x) com o IP público; se forem diferentes, você está atrás de NAT.

A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) tem jurisdição sobre operadores que tratam dados de titulares brasileiros, independente da sede do operador. Um provedor VPN que mantenha logs de atividade de usuários brasileiros e os vaze ou entregue a terceiros sem base legal pode ser enquadrado na LGPD (Lei 13.709/2018). As sanções vão de advertência a multa de 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração. Provedores com zero logs verificados por auditoria independente reduzem significativamente esse risco porque não há dados a vazar ou entregar.

Como saber se VPN funciona de verdade vai além do ícone "Conectado" no cliente: é necessário verificar IP, DNS, WebRTC e IPv6 individualmente para confirmar que nenhum vazamento expõe a identidade real. Use as ferramentas /meu-ip, /consulta-dns e /meu-ipv6 a cada vez que mudar de servidor VPN ou atualizar o cliente para garantir que a proteção continua operando como esperado.

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