T568A vs T568B: padrão de cores do cabo Ethernet RJ-45
T568A vs T568B: pinout dos 8 pinos do RJ-45, diferença entre os padrões, cabo direto e crossover, norma ABNT NBR 14565 e qual usar em instalações no Brasil.
T568A e T568B são os dois padrões de ordem de fios para conectores RJ-45 em cabos Ethernet, definidos pela norma ANSI/TIA-568.2-D (2018) da TIA (Telecommunications Industry Association). A diferença entre os dois é simplesmente a ordem dos pares laranja e verde nos pinos 1, 2, 3 e 6. Mas escolher o padrão errado, ou misturar os dois numa instalação, resulta em cabos que não funcionam ou que funcionam parcialmente. Este artigo explica o pinout completo dos 8 pinos, quando usar cada padrão, como fazer cabo direto (straight-through) e cabo crossover, e o padrão adotado no Brasil.
Neste artigo
- O que é o conector RJ-45 e os 8 pinos
- T568A: pinout completo com cores
- T568B: pinout completo com cores
- T568A vs T568B: diferença exata entre os dois
- Cabo direto (straight-through): quando usar
- Cabo crossover: quando usar
- Qual padrão usar: T568A ou T568B?
- Norma ABNT NBR 14565 é o padrão brasileiro
- Ferramentas para cravar conectores RJ-45
- Perguntas frequentes
O que é o conector RJ-45 e os 8 pinos
RJ-45 (Registered Jack 45) é o conector modular de 8 posições e 8 contatos (8P8C) usado em cabos Ethernet. O cabo Cat5e ou Cat6 que sai do seu roteador tem conectores RJ-45 nas duas pontas. Cada conector tem 8 pinos de cobre que fazem contato com os 8 fios do cabo.
Dentro do cabo Cat5e ou Cat6, existem 4 pares trancados. Cada par é formado por um fio de cor sólida e um fio com listra branca: par laranja (laranja + branco/laranja), par verde (verde + branco/verde), par azul (azul + branco/azul) e par marrom (marrom + branco/marrom). O trancamento dos pares reduz interferência eletromagnética entre pares adjacentes (crosstalk).
T568A: pinout completo com cores
| Pino | Cor do fio | Par | Função em 100BASE-TX / 1000BASE-T |
|---|---|---|---|
| 1 | Branco/Verde | Par 3 (Verde) | TX+ (transmissão positiva) / Bi-Di A+ |
| 2 | Verde | Par 3 (Verde) | TX- (transmissão negativa) / Bi-Di A- |
| 3 | Branco/Laranja | Par 2 (Laranja) | RX+ (recepção positiva) / Bi-Di B+ |
| 4 | Azul | Par 1 (Azul) | Não usado em 10/100 / Bi-Di C+ em Gigabit |
| 5 | Branco/Azul | Par 1 (Azul) | Não usado em 10/100 / Bi-Di C- em Gigabit |
| 6 | Laranja | Par 2 (Laranja) | RX- (recepção negativa) / Bi-Di B- |
| 7 | Branco/Marrom | Par 4 (Marrom) | Não usado em 10/100 / Bi-Di D+ em Gigabit |
| 8 | Marrom | Par 4 (Marrom) | Não usado em 10/100 / Bi-Di D- em Gigabit |
T568B: pinout completo com cores
O T568B é idêntico ao T568A com exceção dos pinos 1, 2, 3 e 6: o par verde e o par laranja trocam de posição. Pinos 4, 5, 7 e 8 (par azul e par marrom) são iguais nos dois padrões.
| Pino | Cor do fio | Par | Função em 100BASE-TX / 1000BASE-T |
|---|---|---|---|
| 1 | Branco/Laranja | Par 2 (Laranja) | TX+ / Bi-Di A+ |
| 2 | Laranja | Par 2 (Laranja) | TX- / Bi-Di A- |
| 3 | Branco/Verde | Par 3 (Verde) | RX+ / Bi-Di B+ |
| 4 | Azul | Par 1 (Azul) | Bi-Di C+ / PoE |
| 5 | Branco/Azul | Par 1 (Azul) | Bi-Di C- / PoE |
| 6 | Verde | Par 3 (Verde) | RX- / Bi-Di B- |
| 7 | Branco/Marrom | Par 4 (Marrom) | Bi-Di D+ / PoE |
| 8 | Marrom | Par 4 (Marrom) | Bi-Di D- / PoE |
T568A vs T568B: diferença exata entre os dois
| Pino | T568A | T568B | Diferente? |
|---|---|---|---|
| 1 | Branco/Verde | Branco/Laranja | SIM |
| 2 | Verde | Laranja | SIM |
| 3 | Branco/Laranja | Branco/Verde | SIM |
| 4 | Azul | Azul | não |
| 5 | Branco/Azul | Branco/Azul | não |
| 6 | Laranja | Verde | SIM |
| 7 | Branco/Marrom | Branco/Marrom | não |
| 8 | Marrom | Marrom | não |
A troca é exatamente entre o par verde (pinos 1, 2 no T568A; pinos 3, 6 no T568B) e o par laranja (pinos 3, 6 no T568A; pinos 1, 2 no T568B). Quatro pinos mudam, quatro ficam iguais.
Cabo direto (straight-through): quando usar
Um cabo direto tem o MESMO padrão nas duas pontas: T568A em ambas, ou T568B em ambas. É o tipo mais comum. Use cabo direto para conectar equipamentos de tipos diferentes: computador a switch, computador a roteador, switch a roteador.
Em redes modernas com Auto-MDI/MDIX (presente em praticamente todo equipamento fabricado após 2001), o cabo direto funciona em qualquer situação: o equipamento detecta automaticamente o tipo de conexão e inverte os pares TX/RX se necessário. Na prática, o cabos crossover ficou obsoleto para uso entre equipamentos modernos.
Cabo crossover: quando usar
Um cabo crossover tem T568A numa ponta e T568B na outra. Isso inverte os pares TX e RX, permitindo conectar dois equipamentos do mesmo tipo diretamente: computador a computador, switch a switch (uplink sem cabo cruzado dedicado), roteador a roteador.
Qual padrão usar: T568A ou T568B?
Se você tem liberdade de escolha: use o mesmo padrão nos dois lados. T568B é mais comum em instalações comerciais nos EUA. T568A é recomendado pelo governo federal americano (TIA-568-C) e por algumas autoridades de cabeamento. No Brasil, a ABNT NBR 14565 não específica preferência entre T568A e T568B, mas exige que o padrão seja consistente na instalação.
O que importa: nunca misture T568A em uma ponta com T568B na outra, exceto quando intencionalmente fazendo um cabo crossover. Uma instalação predial deve usar o mesmo padrão em todos os painéis de patchcord (patch panels) e conectores de parede para evitar confusão futura.
Norma ABNT NBR 14565 é o padrão brasileiro
A ABNT NBR 14565 (Procedimento básico para elaboração de projetos de cabeamento de telecomunicações para edifícios comerciais) é a norma técnica brasileira para cabeamento estruturado. Ela adota os padrões internacionais TIA/EIA-568 e ISO/IEC 11801 como base.
No Brasil, o T568B é mais comum na prática de mercado, seguindo o padrão americano predominante. Instaladores de rede e redes prediais geralmente usam T568B por hábito e por compatibilidade com equipamentos e patch panels importados configurados para T568B. Mas tecnicamente, qualquer um dos dois padrões é aceito pela ABNT, desde que seja consistente.
Ferramentas para cravar conectores RJ-45
| Ferramenta | Função | Observação |
|---|---|---|
| Alicaté de crimpagem (crimper) | Prensa os 8 pinos do conector RJ-45 nos fios do cabo | Ferramenta principal. Modelos com navalha cortam o cabo reto antes de crimpar. |
| Decapador de cabo (stripper) | Remove o revestimento externo sem cortar os fios internos | Descasca ~2-3 cm do revestimento. Cuidado para não danificar o isolamento dos fios. |
| Testador de cabo (cable tester) | Verifica se todos os 8 pinos estão conectados corretamente | Obrigatório para confirmar se o cabo ficou correto antes de usar. LEDs indicam cada pino. |
| Conectores RJ-45 | Conector de 8 pinos que vai na ponta do cabo | Comprar connectors compatíveis com a categoria do cabo (Cat5e, Cat6). Não são intercambiáveis. |
T568A, T568B e PoE: o padrão não afeta a alimentação
Uma dúvida comum é se o padrão de terminação (T568A ou T568B) afeta o funcionamento do PoE (Power over Ethernet). A resposta é não: o PoE funciona independentemente do padrão de terminação, porque o que importa para o PoE é a integridade dos pares e a continuidade elétrica, não a ordem de cores nos pinos.
O PoE Mode A (802.3af/at) usa os pinos 1-2 (par TX) e pinos 3-6 (par RX) para injetar corrente em modo comum nos pares de dados. O PoE Mode B usa os pinos 4-5 (par azul) e pinos 7-8 (par marrom). Ambos os modos funcionam com T568A e T568B, pois os pares azul e marrom ficam nos mesmos pinos (4-5 e 7-8) em ambos os padrões, e os pares de dados trocam de cor mas mantém a mesma topologia de par diferencial.
O que pode afetar o PoE é a qualidade física da terminação: conexões mal crimpadas, condutores parcialmente cortados ou fios dobrados aumentam a resistência do par, causando aquecimento excessivo com corrente PoE. Por isso, instalações com PoE de alta potência (60W-90W) devem ser feitas com cuidado especial na crimpagem e testadas com analisador de cabo que mede resistência de condutor (DC Resistance), parâmetro relevante para PoE que analisadores básicos não testam.
O que são T568A e T568B: padrões de terminação de cabo Ethernet
T568A e T568B são os dois padrões de terminação para cabos Ethernet de par trancado com conectores RJ-45 (8P8C). Eles definem a ordem das cores dos fios nos 8 pinos do conector macho (o conector no cabo) e no módulo keystone fêmea (a tomada na parede ou no patch panel). A diferença entre os dois padrões é exclusivamente a posição dos pares de cores laranja e verde nos pinos do conector.
Do ponto de vista funcional para dados, T568A e T568B são idênticos: transmitem os mesmos bits nos mesmos fios usando os mesmos pares diferenciais. Não há diferença de performance, velocidade ou qualidade de sinal entre cabos terminados em T568A versus T568B, contanto que as duas extremidades do cabo sigam o mesmo padrão (ambas T568A ou ambas T568B, isso produz um cabo direto). Misturar os padrões nas duas extremidades produz um cabo crossover, que interconecta TX de um lado com RX do outro.
A situação em que o padrão importa é de compatibilidade com instalações existentes: adicionar um novo ponto de rede numa instalação que usa T568B deve usar T568B, não T568A. Misturar os padrões numa mesma instalação não causa falha de conectividade em si (ambos funcionam com equipamentos modernos), mas cria confusão de documentação e manutenção, e pode gerar cabos crossover involuntários se um técnico futuro não souber que há padrões mistos.
Os padrões que definem T568A e T568B
Os padrões T568A e T568B são definidos pelo ANSI/TIA-568.2-D ("Balanced Twisted-Pair Telecommunications Cabling and Components Standard"), publicado pelo Telecommunications Industry Association (TIA) em 2018. Este documento substitui versões anteriores (TIA-568-A de 1995, TIA-568-B de 2001 e suas revisões) e é a referência atual para instalações de cabeamento estruturado nos EUA e em países que adotam os padrões TIA.
No Brasil, a norma de referência é a ABNT NBR 14565:2013 ("Procedimento básico para elaboração de projetos de cabeamento de telecomunicações para edifícios comerciais"), que harmoniza com os padrões TIA e ISO/IEC. A NBR 14565 reconhece ambos os padrões de terminação (T568A e T568B) como equivalentes para dados e recomenda que a escolha seja feita no início do projeto e mantida de forma consistente em toda a instalação.
A ISO/IEC 11801 (International Organization for Standardization / International Electrotechnical Commission) é o padrão internacional equivalente ao TIA-568, usado em países europeus, asiáticos e em multinacionais com infraestrutura global. A ISO/IEC 11801 usa os termos T568A e T568B equivalentes e específica as mesmas categorias de cabo (Cat5e, Cat6, Cat6a) com nomes ligeiramente diferentes (Classe D, E, EA respectivamente).
Pinout completo T568A e T568B: os 4 pares trancados
Um cabo Ethernet UTP (Unshielded Twisted Pair) de par trancado contém 4 pares de fios, cada par identificado por uma cor. Os pares são: Par 1 (azul/azul-branco), Par 2 (laranja/laranja-branco), Par 3 (verde/verde-branco) e Par 4 (marrom/marrom-branco). O trancamento de cada par é proposital: reduz o crosstalk (interferência entre pares adjacentes) e a susceptibilidade a interferência eletromagnética externa.
A diferença entre T568A e T568B está apenas na posição dos pares de laranja e verde nos pinos do conector RJ-45. O par azul (pinos 4-5) e o par marrom (pinos 7-8) ficam na mesma posição em ambos os padrões. Isso significa que os dois padrões são eletricamente equivalentes para dados: os pinos transmitem nos mesmos fios, apenas identificados por cores diferentes.
| Pino | T568A - Cor | T568B - Cor | Par | Função em 10/100 Mbps | Função em 1000 Mbps |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Verde-branco | Laranja-branco | 3 (A) / 2 (B) | TX+ (transmit positivo) | BI_DA+ (bidirecional) |
| 2 | Verde | Laranja | 3 (A) / 2 (B) | TX- (transmit negativo) | BI_DA- |
| 3 | Laranja-branco | Verde-branco | 2 (A) / 3 (B) | RX+ (receive positivo) | BI_DB+ |
| 4 | Azul | Azul | 1 | Não usado (reservado) | BI_DC+ |
| 5 | Azul-branco | Azul-branco | 1 | Não usado (reservado) | BI_DC- |
| 6 | Laranja | Verde | 2 (A) / 3 (B) | RX- (receive negativo) | BI_DB- |
| 7 | Marrom-branco | Marrom-branco | 4 | Não usado (reservado) | BI_DD+ |
| 8 | Marrom | Marrom | 4 | Não usado (reservado) | BI_DD- |
Em redes 10BASE-T e 100BASE-TX, apenas os pares 2 (pinos 1-2 para TX) e 3 (pinos 3-6 para RX) são usados para dados. Os pares 1 (azul, pinos 4-5) e 4 (marrom, pinos 7-8) ficam livres, por isso o PoE os usa para alimentação. Em redes 1000BASE-T (Gigabit Ethernet), todos os 4 pares transmitem simultaneamente em modo bidirecional usando PAM5 (Pulse Amplitude Modulation 5 níveis), o que explica por que Gigabit exige cabos Cat5e ou superior com todos os 4 pares de qualidade.
Práticas de instalação: como crimpar corretamente
Crimpar um cabo Ethernet corretamente é uma habilidade fundamental para qualquer técnico de rede. Erros de crimpagem causam falhas intermitentes difíceis de diagnosticar, especialmente em Gigabit Ethernet onde todos os 4 pares precisam funcionar perfeitamente.
- Cortar o cabo reto: Use um alicaté de corte. A extremidade deve ser perfeitamente perpendicular ao cabo, não em ângulo. Cabos cortados obliquamente não entram corretamente no conector RJ-45.
- Descascar a capa externa: Remova cerca de 3,5 cm da capa externa usando uma faca de crimpagem. Não aperte demais para não danificar a isolação dos pares internos.
- Destorcer os pares o mínimo possível: Destorcer demais os pares reduz a performance de atenuação de crosstalk. O máximo recomendado pela ANSI/TIA-568.2-D é 13 mm de destorção para Cat6 e menos para Cat6a.
- Organizar os fios na sequência correta: Para T568B: Br/Br+Azul/Az+Verde/Lj+Verde/Mar+Marrom. Verifique visualmente antes de inserir no conector.
- Inserir no conector RJ-45: Os fios devem tocar o fundo do conector. Verifique pela frente transparente que cada fio chegou ao pino correspondente.
- Crimpar: Insira o conector na ferramenta e aperte completamente. Os pinos de ouro devem perfurar o isolamento de cada fio.
- Testar com cable tester: Um testador básico (10-15 reais) verifica continuidade em todos os 8 pinos e identifica inversão de pares, pares cruzados e cabos abertos.
Certificação de cabeamento estruturado no Brasil
Instalações de cabeamento estruturado no Brasil que seguem a norma ABNT NBR 14565 podem ser certificadas por empresas credenciadas. A certificação envolve testes instrumentados de cada enlace com analisadores de cabo como Fluke DSX-8000 ou Viavi CertiFiber Pro. Os parâmetros testados incluem:
| Parâmetro | O que mede | Limite Cat6 (100m) |
|---|---|---|
| Atenuação de inserção (IL) | Perda de sinal ao longo do cabo | Máximo 21,3 dB a 100 MHz |
| NEXT (Near-End Crosstalk) | Interferência entre pares medida na origem | Mínimo 39,9 dB a 100 MHz |
| PS-NEXT | NEXT somatório de todos os pares | Mínimo 37,9 dB a 100 MHz |
| ELFEXT | Crosstalk na extremidade distante | Mínimo 23,3 dB a 100 MHz |
| Return Loss | Reflexão de sinal por impedância incorreta | Mínimo 20,1 dB a 100 MHz |
| Comprimento do enlace | Comprimento total do canal | Máximo 100m (canal) |
Projetos de construção e retrofit no Brasil que especificam cabeamento estruturado Cat6 ou Cat6a em documentação técnica de engenharia geralmente requerem laudo de certificação com esses parâmetros. Instaladores certificados como Fluke Networks Certified Cabling Technician (FCCT) ou Panduit Certified Installer estão habilitados para emitir esse laudo.
Como verificar o padrão de um cabo já instalado
Em situações de manutenção ou auditoria de infraestrutura, pode ser necessário identificar qual padrão (T568A ou T568B) foi usado em um cabo já instalado. Alguns métodos:
- Inspetor visual no conector RJ-45: Com o cabo horizontal voltado para você (trava para baixo, pinos de ouro para cima), observe a ordem das cores. Se o pino 1 (esquerda) é verde-branco, é T568A. Se for laranja-branco, é T568B.
- Cable tester com wiremap: Testadores básicos mostram a correspondência de pinos entre as duas extremidades. Para identificar o padrão, você precisaria de um testador avançado que mostre as cores dos pares ou comparar com o pinout de referência.
- Documentação do projeto: Qualquer instalação profissional certificada segundo a ABNT NBR 14565 deve ter documentação indicando o padrão usado. O laudo de certificação Fluke ou similar inclui essa informação.
- Etiquetar na instalação: Boas práticas recomendam etiquetar os patch panels com o padrão usado (T568A ou T568B) para referência futura. Sem etiqueta, rely na inspeção visual.
Para fins de conectividade, o padrão escolhido não importa, mas a consistência e obrigatória: todas as tomadas, patch panels e patch cords da mesma instalação devem usar o mesmo padrão. Misturar T568A numa extremidade e T568B na outra de um cabo direto cria um cabo crossover involuntário, causando falha de link em equipamentos sem Auto-MDI/MDIX.
Cabo crossover: quando e necessário e quando não e
O cabo crossover (cabo cruzado) conecta o par TX de um lado ao par RX do outro, permitindo que dois dispositivos do mesmo tipo se comuniquem diretamente. Em redes 10BASE-T e 100BASE-TX, conectar dois PCs diretamente ou dois switches diretamente sem o crossover resultava em falha de comunicação: ambos tentavam transmitir no mesmo par.
Um cabo crossover Ethernet usa T568A em uma extremidade e T568B na outra. Isso troca os pinos 1-2 (TX) com os pinos 3-6 (RX). Para redes 10/100 Mbps, os pares afetados são o par 2 (laranja, pinos 1-2) e o par 3 (verde, pinos 3-6).
| Conexão | Sem Auto-MDI/MDIX | Com Auto-MDI/MDIX |
|---|---|---|
| PC para Switch | Cabo direto | Qualquer cabo |
| PC para PC | Cabo crossover | Qualquer cabo |
| Switch para Switch | Cabo crossover (exceto porta uplink) | Qualquer cabo |
| Switch para Roteador | Cabo direto | Qualquer cabo |
| Roteador para Roteador (back-to-back) | Cabo crossover | Qualquer cabo |
O Auto-MDI/MDIX (IEEE 802.3ab, obrigatório para 1000BASE-T e padrão em todos os equipamentos desde meados dos anos 2000) detecta automaticamente o tipo de cabo e ajusta os pares TX/RX internamente. Na prática, nenhum equipamento moderno exige cabo crossover: switches Cisco, HP, Ubiquiti e qualquer NIC de PC com Gigabit Ethernet tem Auto-MDI/MDIX. Cabos crossover ainda aparecem em laboratórios de certificação e em troubleshooting de equipamentos legados.
Contexto histórico: por que existem dois padrões
A dualidade T568A/T568B existe por razões históricas, não técnicas. O T568B deriva do antigo padrão AT&T 258A, amplamente adotado pela indústria de telecomunicações americana nos anos 1980 antes do padrãoTIA existir. Quando o TIA publicou o padrão 568 em 1991, incorporou o T568B como alternativa (por compatibilidade com instalações existentes) e o T568A como o padrão preferencial.
O Departamento de Defesa dos EUA e o governo federal americano especificaram T568A em contratos federais, o que explica sua predominância em instalações governamentais. O mercado comercial, já habituado ao wiring de telefonia AT&T, preferiu o T568B.
No Brasil, o ANATEL e a ABNT adotaram o padrão da TIA como referência. A ABNT NBR 14565:2013 reconhece ambos os padrões como equivalentes para dados, mas recomenda consistência dentro de uma instalação. A maioria dos instaladores brasileiros usa T568B por influência do material de treinamento americano e da documentação Cisco em português.
Perguntas frequentes sobre T568A e T568B
Qual a diferença entre T568A e T568B?
T568A e T568B são dois padrões de fiação para conectores RJ-45 de cabos Ethernet, definidos pela norma ANSI/TIA-568. A diferença é a posição dos fios nos pinos 1, 2, 3 e 6: no T568A, o par verde fica nos pinos 1 e 2; no T568B, o par laranja fica nos pinos 1 e 2. Os pinos 4, 5, 7 e 8 são iguais nos dois padrões.
Qual padrão usar: T568A ou T568B?
Ambos funcionam. O que importa é usar o mesmo padrão nas duas pontas do cabo (cabo direto). T568B é mais comum em instalações comerciais no Brasil e nos EUA. T568A é recomendado pelo governo americano e por alguns padrões de instalações residenciais. Para uma nova instalação, escolha um padrão e mantenha consistente em toda a infraestrutura.
O que e um cabo crossover?
Um cabo crossover tem T568A numa ponta e T568B na outra. Isso inverte os pares TX e RX, permitindo conectar dois equipamentos do mesmo tipo diretamente (computador a computador, switch a switch). Em equipamentos modernos com Auto-MDI/MDIX (presentes na maioria dos dispositivos desde 2001), cabo crossover não é mais necessário.
Qual norma define os padrões T568A e T568B?
Os padrões T568A e T568B são definidos pela norma ANSI/TIA-568.2-D (2018), publicada pela TIA (Telecommunications Industry Association). No Brasil, a norma equivalente é a ABNT NBR 14565, que adota os padrões TIA/EIA-568 como base. Ambos os padrões (A e B) são aceitos pelas normas.
Como saber qual padrão está sendo usado num cabo já existente?
Olhe o conector RJ-45 de frente, com os pinos virados para você e o clip plástico embaixo. Pino 1 é a esquerda. Se o primeiro fio a esquerda for branco com listra verde, é T568A. Se for branco com listra laranja, é T568B. Um testador de cabo também indica a ordem dos pinos ao testar a continuidade.
T568B funciona com Cat5e, Cat6 e Cat6a?
Sim. Os padrões T568A e T568B definem a ordem dos fios no conector RJ-45, não a especificação do cabo. Cat5e, Cat6, Cat6a e Cat7 todos usam o mesmo conector RJ-45 com 8 pinos, e ambos os padrões de fiação funcionam em qualquer categoria de cabo. A diferença está na qualidade elétrica do cabo, não na ordem dos fios.
O que e Auto-MDI/MDIX?
Auto-MDI/MDIX é uma funcionalidade presente em switches, roteadores e placas de rede modernos (IEEE 802.3ab, 1999) que detecta automaticamente o tipo de conexão e ajusta os pares TX/RX internamente. Com Auto-MDI/MDIX, cabo direto funciona para qualquer tipo de conexão, tornando o cabo crossover desnecessário na maioria dos casos.
Posso misturar T568A e T568B na mesma rede?
Nos cabos patch (de equipamento para tomada de parede), não misture os padrões: use o mesmo nas duas pontas. Numa rede, você pode ter alguns cabos com T568A e outros com T568B, desde que cada cabo seja consistente internamente. O que não pode é ter T568A numa ponta e T568B na outra do mesmo cabo (isso cria um cabo crossover não intencional).
O que são os 4 pares trancados dentro do cabo Cat5e ou Cat6?
Dentro de um cabo Ethernet Cat5e ou Cat6, há 4 pares de fios trancados (torcidos um em torno do outro). Cada par e identificado por cor: par laranja (laranja + branco/laranja), par verde (verde + branco/verde), par azul (azul + branco/azul) e par marrom (marrom + branco/marrom). O trancamento reduz interferência eletromagnética entre pares adjacentes (crosstalk). O número de torcidas por metro varia entre pares para maximizar a rejeição de interferência.
Por que o PoE usa os pinos 4, 5, 7 e 8?
PoE (Power over Ethernet, IEEE 802.3af/at/bt) usa os pares "ociosos" em redes 10/100 Mbps: pinos 4-5 (par azul) e pinos 7-8 (par marrom). Em redes Gigabit, PoE usa injeção de modo comum nos mesmos pares usados para dados, sem interferir na transmissão. O PoE permite alimentar câmeras IP, access points e telefones VoIP pelo mesmo cabo Ethernet sem fio de alimentação separado.
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